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Fusca nasceu com o nazismo

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Foi o ditador Adolf Hitler, articulador de um dos maiores massacres humanitários já praticados no mundo, o responsável por dar o “pontapé” inicial para o nascimento do Fusca. O nazista sonhava com um país em que todo alemão pudesse ter acesso a um carro.

Papel decisivo nesse sentido também teve Ferdinand Porsche, considerado o “pai” do Fusca. Ele já havia desenvolvido protótipos de automóveis populares para dois fabricantes de motocicletas - NSU e Zundapp -, mas estes abandonaram seus projetos por julgarem os investimentos elevados demais.

O impasse só começou a se resolver em 1934, quando Porsche recebeu apoio oficial do governo alemão. Durante o salão de Berlim, Hitler propôs a Porsche as cinco diretrizes básicas para a concepção do automóvel. O carro deveria ser capaz de manter uma velocidade média de 100 km/h, fazer um consumo médio de sete litros a cada 100 quilômetros rodados, possuir espaço para até cinco pessoas, ser refrigerado a ar (em função dos rigorosos invernos alemães) e ter um preço baixo, em torno de 1.000 reich marks - cerca de US$ 250 na época.

Desta forma, em 22 de junho de 1934, data comemorativa do Dia Mundial do Fusca, Porsche e o governo alemão firmaram acordo através do qual o primeiro se comprometia, em um prazo de dez meses, a entregar os protótipos do carro.

Mas o cronograma atrasou e, somente em fevereiro de 1936, Porsche apresentou a Hitler o V1 (com teto rígido) e o V2 (conversível), considerados os dois primeiros Fuscas da história. Na seqüência, em outubro do mesmo ano, Porsche entregou mais três protótipos (um cabriolet, um fechado e outro com teto solar) aos nazistas, batizados de série VW-3 Volksauto.

Já em 1937, uma associação entre Porsche, a Daimler Benz e a Reuter & Co. permitiu a produção de mais 30 protótipos, batizados de VW-30 e testados num total de 2,4 milhões de quilômetros, principalmente na região da Floresta Negra. Com isso, um ano mais tarde foi lançada, em Fallersleben (Wolfsburgo), a pedra fundamental da fábrica do automóvel com a intenção de produzir o KdFWagen, nome escolhido pelo governo alemão.

Firme aos seus ideais nacionalistas, Hitler criou um plano de vendas no qual as prestações para adquirir o KdF (Força pela Alegria, que era o lema do então Partido Trabalhista Alemão) eram pagas adiantadas através de selos valendo cinco reich marks cada um.

Entretanto, o “estouro” da Primeira Guerra Mundial, em 1939, fez com que os esforços dos alemães ficassem inteiramente voltados à produção de veículos militares produzidos com as bases mecânicas do Fusca. O KdF quase nem chegou a ser fabricado e as versões militares ganharam força, como o jipe Kübelwagen e o Schwim-mwagen, veículo anfíbio.

A grande virada começou em 1948, quando Heinrich Nordhoff decidiu retomar sua fabricação. Assim, em 1949, 46.154 já haviam sido produzidos e, no mesmo ano, Nordhoff fechou um acordo com a Chrysler mundial para a utilização de sua rede de revendas em todo o mundo. Assim, ao mesmo tempo em que renascia na Alemanha, o Fusca iniciava sua conquista do mercado mundial.

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