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'O perfil das doenças no Brasil'


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Há algum tempo houve uma drástica modificação no perfil das doenças que afetam o brasileiro. As doenças cardiovasculares tomaram a frente entre as principais causas de morte em nosso País, sendo seguidas pelas chamadas “causas externas de morte”, ligadas principalmente à violência, inclusive do trânsito. Em ordem decrescente vêm as neoplasias malignas (câncer), as doenças do aparelho respiratório e as doenças infecto-parasitárias.

Cinqüenta anos atrás o perfil era outro, sendo que as doenças infecto-contagiosas eram responsáveis, proporcionalmente, por um maior número de mortes do que as doenças cardiovasculares, as neoplasias malignas e as causas externas.

O que provocou tamanha mudança? Teoricamente, poderíamos imaginar que ela se deve à diminuição das doenças infecto-contagiosas. Realmente, a melhoria das condições de moradia, de saneamento básico e de utilização de vacinas trouxe diminuição na prevalência de alguns tipos dessas doenças. Mas o que chama atenção é o aumento impressionante de outros tipos de doenças.

Um estudo mais acurado mostra que, em grande parte, a mudança de perfil está ligada a aspectos da “vida moderna”, como a urbanização, a poluição (responsável por grande número de doenças do aparelho respiratório), o aumento do número de acidentes de trânsito e o aumento da criminalidade, e pelo aumento da expectativa de vida (possibilitando o aparecimento de doenças que se estabelecem em populações mais idosas).

São indicadores importantes para o planejamento de uma política de saúde com visão para o presente e para o futuro.

O autor, Isac Jorge Filho, é presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de SP

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