Garça - Manhãs e noites frias sugerem uma bebida quente e nada mais comum do que partirmos para um cafezinho. Saboroso por natureza, ele é uma das mais populares bebidas e está presente na mesa da maioria dos brasileiros.
A microrregião de Garça já foi uma das maiores produtoras de café do Estado de São Paulo. Por isso, há 30 anos ostentava o título de “Capital do Café”. Chegou a ser a segunda em volume de exportações do Brasil.
As inúmeras crises que afetam o setor há mais de cinco anos levaram a microrregião a um estado de alerta. A maior cooperativa de cafeicultores, a Garcafé, está sendo liquidada e seu fechamento deverá refletir no mercado cafeeiro.
A compra de insumos e a comercialização do café passarão a ser feitas pelos próprios produtores, o que pode aumentar os custos e baixar o lucro, piorando ainda mais a situação.
O presidente da comissão de liquidação da Garcafé, José Wilson Lopes, explica que a inadimplência dos cafeicultores gerou a inadimplência da cooperativa. “A Garcafé comercializou insumos agrícolas. Os cafeicultores não pagaram e a cooperativa não teve como saldar os débitos junto aos seus credores.”
A dívida da Garcafé chega a R$ 44 milhões e engloba também pagamentos de impostos ao governo federal. “Não é impagável porque temos um crédito de cerca de R$ 30 milhões, fruto da cota de exportação cobrada até 1989, que o Supremo Tribunal considerou inconstitucional. Se fosse efetivado um acordo, teríamos como salvar a cooperativa.”
Sem acordo, a Garcafé amargou um prejuízo astronômico, ano após ano. “Em 2002 o prejuízo anual foi de R$ 4,5 milhões. No ano seguinte, cerca de R$ 5,5 milhões e, em 2004, aproximadamente, R$ 10 milhões. Em três anos, acumulamos um prejuízo em torno de R$ 20 milhões.”
O fechamento da cooperativa, na opinião dele, envolve uma questão social. “Perdemos mais de 1.000 cooperados e despedimos dois terços de todos os funcionários. Ainda vamos despedir mais, pois adotamos outra forma de administrar.”
O mais grave, segundo ele, é que os produtores da microrregião não têm onde armazenar seus produtos. “O cafeicultor garcence não dispõe de local e nós não estamos armazenando. Os credores podem, a qualquer momento fazer o seqüestro desse bem e nós decidimos não receber mais o produto. Colhendo e vendendo de imediato, o cafeicultor pode, mais uma vez, perder a oportunidade de conseguir um bom preço no café.”