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Estudos derrubam tabus sobre o caf

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

O café que a gente toma todos os dias não é o vilão que se prega. Para estudar os benefícios e os possíveis malefícios da bebida mais popular do Brasil, foi criado nos Estados Unidos o Instituto de Estudo do Café. Pesquisas e experiências também estão sendo desenvolvidas na Europa.

As conclusões dos estudos são surpreendentes e derrubam alguns tabus criados em torno da bebida que encontra no Brasil o segundo mercado mundial de consumo. No pódio está os Estados Unidos, com 20 milhões de sacas, enquanto o Brasil consome 15 milhões.

Uma das conclusões de vários estudos é que o café, consumido em doses normais, traz mais benefícios do que malefícios. A primeira descoberta sobre os benefícios da bebida aconteceu na Etiópia, quase que por acaso. Um criador de carneiros descobriu que seu rebanho ficava muito mais ativo depois que comia aquelas cerejas vermelhas de uma vegetação.

O criador passou então a consumi-las também e percebeu que sua vontade de fazer as coisas aumentou muito, da mesma forma que aconteceu com os carneiros.

Posteriormente, por volta do ano 1.000, quando o café passou a ser tomado da maneira habitual, falava-se que ele fortificava os membros, clareava a pele e dava um excelente odor no corpo. Um estudo francês contestou tudo isso e na época nada se provou.

No mesmo período, estudos elementares diziam que o café era excelente estimulante. Lendas davam conta que a bebida curava praticamente todas as doenças, inclusive eliminava os efeitos do excesso de álcool.

Os estudos, posteriormente, comprovaram algumas crenças. Uma delas é que o café possui mais de duas vezes a porcentagem de cafeína do seu concorrente, o chá. Ela é um alcalóide que aumenta o sentido de alerta e estimula a atividade cerebral.

Para que a cafeína tenha um efeito estimulante, bastam duas xícaras de café. Uma xícara de café contém de 80 a 150 miligramas de cafeína. A quantidade de cafeína em uma xícara depende de uma série de fatores, como a variedade do tipo de café.

Para agir como veneno, seria preciso consumir de 90 a 100 xícaras. Segundo as pesquisas, a cafeína é a mais popular das drogas e, muito freqüentemente, ela é administrada para qualquer tipo de coisa. Não há evidências que ela possa ser uma droga como a cocaína.

O café também já foi acusado de proporcionar mudanças de comportamento, câncer, aumento dos níveis de colesterol, ataque do coração, abortos, aceleração do coração, irritabilidade, nervosismo e falta de memória.

Comportamento

As pesquisas provam que o café age sobre o comportamento das pessoas, mas depende de inúmeros fatores, entre eles a combinação com outras drogas. Algumas podem diminuir o efeito da cafeína, outras podem estimular o sistema nervoso, como o moderador de apetite. Outra descoberta dos estudos diz que o óleo que os grãos de café contêm, podem ser eliminados na hora de filtrá-lo durante a preparação.

A bebida também tem sido apontada por roubar o sono. Mas, na medida em que seus efeitos estimulantes podem significar uma maior demora no início do sono, eles não estão ligados à falta de tranqüilidade durante o mesmo.

Para evitar a insônia, os médicos recomendam que ele não seja consumido no período mais próximo da noite. Estudos feitos pelo Instituto Nacional da França concluíram que o café só tem esse efeito após ingestão de mais de 200 miligramas.

Mais de 150 projetos de pesquisas têm sido desenvolvidos para provar que não há ligação entre o consumo do café e o câncer. Em 1997, o Centro Mundial de Pesquisa do Câncer afirmou, categoricamente, que não existe nada que prove que o consumo de café provoque a doença.

Como antioxidante, o café faz parte do grupo da soja, cebola e alho. Com isso, ele também é responsável pelo prolongamento da vida, agindo como inibidor dos efeitos maléficos do cigarro, poluição, etc.

A propriedade de antioxidante do café é quatro vezes maior do que a do chá e tem efeito na proteção do setor sangüineo, acrescentando o bom colesterol.

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