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Por que Febem?


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Houve época em que não existia e nem era necessária a Febem, instituição cuja realidade, infelizmente, contradiz o seu nome. A nossa sociedade era predominantemente rural. Trabalhando para fazendeiros ou em terras próprias, como sitiantes, a família era coesa. Os pais eram respeitados e obedecidos, e os costumes eram muito simples. As atividades sociais se limitavam às missas dominicais e aos bailes nas tulhas de café. Todos começavam a trabalhar muito cedo, aos 7 ou 8 anos, sob a proteção dos pais, únicos responsáveis pelo caráter e conduta dos filhos.

O ensino primário, pelo menos até a 3.ª série, atingia as propriedades mais distantes, graças à abnegação dos professores em início de carreira. Os desvios de conduta, de natureza criminosa, eram mínimos. Nas cidades havia, basicamente, duas classes - a elite, formada por proprietários, profissionais liberais e altos funcionários, e o povo, formado por comerciários, operários e funcionários modestos. Favelas praticamente não existiam. As instituições filantrópicas se destinavam quase que só para órfãos, velhos e deficientes.

Após a 2.ª Grande Guerra (1945), a industrialização deu início ao êxodo rural. No começo, a expansão da indústria, que era intensiva em mão-de-obra, criava emprego para todos que deixavam a roça, mas o êxodo rural continuou em ritmo maior e o desenvolvimento tecnológico foi diminuindo a necessidade de mão-de-obra. Assim, aqueles que chegavam à cidade e não encontravam trabalho tinham que se acomodar em barracos construídos nos morros ou à beira dos rios, em terras desprezadas, formando as favelas, que nunca pararam de crescer. As duas classes de moradores urbanos se desdobraram em A, B, C, D, etc.

O desejo de consumo, antes contido pela consciência da condição socioeconômica, generalizou-se pela explosão da propaganda que invadiu todas as casas, com o desenvolvimento do rádio e da televisão.

Dizem que o remédio para os males sociais é a educação. A Febem possui um belo plano educacional, mas a solução dos problemas sociais depende da criação de trabalho remunerado para as pessoas se tornarem auto-suficientes. A educação deve vir em socorro à economia, porque quem cria emprego é a economia. Política econômica que promova o crescimento, criando trabalho, e educação que torne a população mais esclarecida e capacitada para o trabalho é que dariam o desenvolvimento sustentado. . No caso da Febem, a divisão em unidades menores e colocadas mais próximas das famílias dos menores parece ser uma boa medida. Outra seria separar os menores pela faixa etária, principalmente dos de 16 anos para cima. A Febem, entretanto, trata o problema pelo efeito. Pelas causas, as medidas devem procurar manter o menor com a família, freqüentando a escola e iniciando no trabalho, para desenvolver o senso de responsabilidade e ajudar no orçamento doméstico.

Pena que as instituições que mais fazem esse serviço, que são as entidades educacionais de assistência ao menor carente, em vez de ajuda para se multiplicarem, vêm sendo visadas pela fiscalização do trabalho e da Previdência Social, como se fossem exploradoras do menor. Justamente elas, que procuram amparar o menor, evitando que ele seja explorado e marginalizado, é que ficam na mira dos órgãos públicos, enquanto aumenta o número dos que ficam na rua e acabam na Febem.

O autor, Pedro Grava Zanotelli, é conselheiro da Federação Brasileira das Associações Sócio-Educacionais de Adolescentes - Febraeda

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