Regional

Resgate de líderes do PCC é frustrado

Por Cláudio Dias | Da Tribuna Impressa, especial para o JC
| Tempo de leitura: 2 min

Araraquara - Armas com os presos e a proposta de uma rebelião interna para chamar a atenção das autoridades. Era assim e com a ajuda de três helicópteros que os dois principais líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC) seriam resgatados da Penitenciária Regional de Araraquara. A informação já havia sido levantada em abril, quando os armamentos foram encontrados dentro do presídio. A denúncia foi confirmada anteontem pelo Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) de São Paulo.

Segundo os detalhes contados pela polícia da capital, Marco Willians Herbas Camacho, o “Marcola”, que também é fundador da facção e Júlio César Guedes de Moraes, o “Julinho Carambola”, seriam levados da unidade. A intenção, segundo apurou a reportagem, era pousar as aeronaves no pátio ao lado do pavilhão. A área interna é protegida por cabos de aço, mas ao lado, bastaria aos presos quebrarem o vidro da janela da cela para ter acesso ao outro espaço.

Os policiais de São Paulo receberam a denúncia, mas, de acordo com o diretor da penitenciária, Roberto Medina, não passaram o fato para a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP).

Em 24 de abril, após uma denúncia anônima, quatro pistolas semi-automáticas calibre 45, 380 e duas calibre 765 foram encontradas carregadas e escondidas entre os materiais da marcenaria onde são reformadas cadeiras escolares.

Depois da descoberta dos armamentos, “Marcola” e “Julinho Carambola” foram transferidos da penitenciária para o Centro de Reabilitação Penitenciária (CRP) de Presidente Bernardes. Além dos dois chefões do PCC, outros oito presos foram transferidos para o mesmo presídio, que é considerada a unidade mais segura do País. Coincidência ou não, um dia depois, dois detentos foram assassinados no presídio. A direção creditou as mortes a uma rixa interna.

O diretor do presídio afirma que tinha apenas a informação das armas e desconhecia a presença dos helicópteros. Mesmo assim, segundo ele, a nova denúncia atesta a preocupação da SAP com a possibilidade de uma rebelião na unidade de Araraquara, que terminaria com a fuga dos líderes da facção. “Com a apreensão das armas e o isolamento dos chefões do PCC, conseguimos barrar a fuga e evitar um trauma”, diz Medina. “Marcola” e “Julinho Carambola” continuam isolados em Presidente Bernardes e sem previsão para serem transferidos.

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