Economia & Negócios

Bauru terá Conselho Regional de Desenvolvimento Econômico

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

Dentro de três meses, Bauru terá formado o Conselho Regional de Desenvolvimento Econômico. A afirmação foi feita ontem pelo secretário municipal de Desenvolvimento, Walace Garroux Sampaio, e pelo diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Ricardo Coube. Ambos participaram de uma reunião que também contou com a presença do prefeito Tuga Angerami (PDT).

O objetivo é impulsionar o crescimento em âmbito regional, envolvendo setores urbanos e rurais. A proposta que está sendo discutida é de criar um conselho que tenha uma base de ação para elaborar diagnósticos temáticos e setoriais, com informações como índices de responsabilidade social, riqueza, longevidade, escolaridade, entre outros, segundo informa a assessoria de imprensa da prefeitura.

Conforme noticiado pelo JC, a idéia foi apresentada durante o seminário “Potencial Logístico Regional como Fator de Competitividade Econômica”, promovido pelo Ciesp no último dia 3. A proposta lançada por Ricardo Coube vai ainda mais além, chegando à formação de uma agência de desenvolvimento regional.

“O conselho será consultivo, e não deliberativo. Ele não funcionará como uma agência de desenvolvimento, que é o modelo que buscamos, mas será fundamental para fomentar o crescimento regional. Este (a formação do conselho) é o primeiro passo para a criação da agência de desenvolvimento regional”, observa Coube. As primeiras discussões começaram ainda no ano passado, com o Grupo Pró Bauru.

Quando foi apresentada no seminário do dia 3 deste mês, a idéia da agência foi amplamente apoiada pelos secretários estaduais de Transportes, Dario Rais Lopes, e de Ciência, Tecnologia, Turismo e Desenvolvimento Econômico, João Carlos de Souza Meirelles, pelos presidente e vice do Ciesp, Cláudio Vaz e Fausto Cestari, e pelo deputado estadual Pedro Tobias (PSDB).

“Esse apoio é fundamental, porque mostra que não é apenas o governo municipal que enxerga a importância da formação desse conselho para o crescimento da região de Bauru. Não é possível pensar em desenvolvimento se não for regionalmente. Vamos desenvolver projetos a partir das vocações das cidades envolvidas. Na região de Bauru, por exemplo, temos o turismo rural e de negócios, além da agricultura”, aponta Walace Sampaio.

Segundo o diretor regional do Ciesp, já está marcada para a próxima segunda-feira uma nova reunião, com empresários e representantes de prefeituras da região, que dará continuidade às discussões iniciadas ontem. “É interessante elencar prioridades da região para iniciar os trabalhos do conselho, como a questão do lixo, do gasoduto, o novo aeroporto de Bauru e a logística gerada pela intermodalidade da região”, aponta Coube.

Iniciativa privada

Durante a reunião de ontem ficou definido que o Conselho Regional de Desenvolvimento Econômico será tripartite, com cinco titulares representando os municípios, cinco do governo estadual e cinco do setor privado organizado, além de outros cinco suplentes para cada setor. A presidência do órgão será ocupada pela iniciativa privada e o conselho será apolítico.

Na opinião do prefeito Tuga Angerami, o conselho deve ser alinhavado pela iniciativa privada para garantir sua perenidade. A alternância do poder governamental poderia colocar em risco a continuidade do órgão, que discutirá questões ligadas à indústria, comércio, agricultura e serviços.

A proposta feita pelo governo estadual para a formação dos conselhos no início do mês foi aproveitar a divisão administrativa da região de Bauru, que tem 39 municípios, e subdividí-la em outras três microrregiões. Bauru ficaria com 19 cidades, Lins com dez e Jaú com outras dez. Mas isso será discutido na reunião da próxima segunda-feira.

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Inovação

A Financiadora de Estudos e Projetos do Ministério da Ciência e Tecnologia (Finep) apresentou ontem a empresários, durante encontro promovido pela regional Bauru do Ciesp e pela Faculdade de Engenharia da Unesp, o programa Pró-Inovação. Trata-se de uma linha de incentivo à inovação nas empresas brasileiras por meio de financiamento com encargos reduzidos para projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação de bens, serviços ou capacitação tecnológica.

De acordo com o economista e analista Paulo Denis Marques Silva, da Finep, a taxa máxima de juros aplicada sobre a operação é de 14,75% ao ano, índice que pode cair a até 4,75% ao ano conforme a empresa tomadora do financiamento for respondendo ao maior número de critérios exigidos para a aprovação da operação.

“O projeto (apresentado à Finep) tem que ser voltado a pesquisa e desenvolvimento. O Pró Inovação oferece três anos de carência para o início do pagamento e um total de sete anos para o empresário quitar o financiamento”, diz Silva. Os principais itens financiáveis são contratação de pesquisadores e especialistas; investimentos em máquinas e equipamentos; aquisição de insumos e material de consumo; melhoria de processos organizacionais, entre outros.

O professor da Unesp e membro da diretoria do Ciesp, Jair Manfrinato, observa que o programa abre uma importante porta para que as universidades se aproximem mais das empresas, e vice-versa. “As empresas precisam do desenvolvimento trazido pelas pesquisas, e as universidades formam profissionais capacitados para ‘pensar a empresa’”, aponta.

O empresário Airton Caetano apresentou ontem mesmo, aos representantes da Finep, um projeto para desenvolvimento de softwares. “Preciso de profissionais capacitados.”

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