Bairros

Sear inicia cadastramento para desfavelar Jd. Ivone

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

A Prefeitura de Bauru começou ontem a cadastrar as famílias da favela do Jardim Ivone para o projeto de desfavelamento do bolsão de pobreza. O secretário das Administrações Regionais (Sear), Nélson Fio, disse que está adiantada a negociação com o proprietário de um terreno próximo à favela para a construção das novas moradias. Pela parceria firmada, o Município desapropria a área, que Fio garantiu ter espaço para até 140 residências, a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) fornece o projeto das casas e repassa à prefeitura os recursos para a compra do material de construção e os moradores entram com a mão-de-obra.

Pelo levantamento da Secretaria Municipal do Bem-estar Social (Sebes), no Jardim Ivone existem 96 barracos erguidos em áreas irregulares ou de risco, com uma população estimada de 480 famílias. Ao todo, Bauru tem 31 bolsões de pobreza e favelas alvo de assistência com mais de 17 mil pessoas.

O titular da Sear adianta que depois do Jardim Ivone, o projeto de desfavelamento deve ser desenvolvido nas favelas do Ferradura Mirim e do Jardim Vitórias. O levantamento dos moradores do Jardim Ivone está sendo feito por quatro equipes que visitam as casas. Ontem pela manhã foram cadastradas 60 famílias.

A diretora do departamento social da Sear, Roxanne Rodrigueiro, explicou que o questionário preenchido com dados da família foi fornecido pela CDHU. Entre as questões respondidas pelos moradores, o censo busca apontar aqueles que aceitam trabalhar em mutirão construindo as casas.

O pedreiro desempregado Davi Floriano disse que trabalhar na construção das casas não é problema. Em sua família, além da esposa, são mais seis filhos entre 2 e 19 anos. A família reside atualmente na quadra 1 da José Pereira de Resende, uma das casas visitada ontem pelas equipes da Sear.

Nova casa

O morador disse que o desfavelamento seria ótimo. “Pelo menos se a gente morrer tem o que deixar para os filhos”, comenta. A família mora há um ano em uma casa de quatro cômodos e banheiro, mas está há 18 anos no Jardim Ivone.

Floriano diz que a renda da família é de cerca de R$ 400,00 mensais, quantia conseguida com a coleta e venda de material reciclável. Um comerciante instalado na favela, que preferiu não se identificar, questionou como serão as casas. Ele acha que haverá uma certa resistência se o projeto arquitetônico for de casas geminadas.

Rodrigueiro explica que o cadastramento das famílias deve ser completado hoje à tarde. Ela comenta que os questionários vão propiciar um perfil real da população da favela.

O gerente regional da CDHU, Carlos Roberto Ladeira, diz que os moradores beneficiados com as casas do projeto de desfavelamento vão pagar prestações acessíveis às suas rendas. O valor visa cobrir os custos da companhia com projeto e material de construção.

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Divisão de tarefas

Na parceria a CDHU é responsável por supervisionar as obras, além de fornecer o projeto e o dinheiro para material de construção. A contrapartida da prefeitura é o terreno e as obras de infra-estrutura e adequação dos lotes ao projeto.

Técnicos da CDHU e da Secretaria municipal de Planejamento de Bauru (Seplan) vistoriaram em março algumas áreas no bairro, com destaque para a que está em fase de negociação para desapropriação. Depois de desapropriar o terreno, a administração municipal repassará o terreno para a CDHU com as obras necessárias executadas.

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