Nos anos de chumbo da ditadura militar era muito perigoso fazer política. Encontrar-se com os companheiros era difícil e os movimentos clandestinos, que lutavam pela democracia no Brasil, tinham inúmeras dificuldades para comunicarem aos militantes as suas atividades. Para tais encontros clandestinos, era obrigatório ter senhas previamente combinadas pelas direções.
Certo dia, Antonio Pedroso Jr. teve que viajar para cobrir um “ponto”, como era denominado o encontro naqueles tempos. O tal “ponto” era numa praça de São Carlos (SP), e a senha era ter o jornal “O Estado de São Paulo” enrolado embaixo do braço. Pedroso chega na cidade, procura e não encontra o Estadão (o veículo de entrega tinha quebrado); sem vacilar, Pedroso compra a Folha de São Paulo e ruma ao local combinado.
Algum tempo depois, Pedroso nota o cidadão (que já conhecia de Bauru), com o Estadão de baixo do braço. O seu “ponto” circula pela praça, passando algumas vezes pelo banco que Pedroso está sentado, mas não mantém contato. Nervoso, Pedroso fuma como chaminé e nada do outro militante aproximar-se. Anoitece e Pedroso, fulo da vida, e dois maços de cigarros depois, pega novamente o ônibus para Bauru, resmungando contra o mundo.
Contada por Pedro Romualdo