Política

Reunião discute hoje futuro da ponte

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

A viabilidade da recuperação da ponte Ayrton Senna, interditada há quase 30 meses, será discutida hoje por representantes da prefeitura, vereadores e engenheiros. O encontro terá início às 9h, na sede do Sindicato do Comércio Varejista (SinComércio). A intenção é saber dos especialistas em construção se o projeto de reforma é suficiente para garantir que a passagem não voltará a apresentar problemas estruturais.

O prefeito Tuga Angerami (PDT) já adiantou que não investirá nenhum centavo na obra enquanto não tiver certeza que o projeto de recuperação é eficaz. A construção da ponte custou R$ 217 mil, mas já foram investidos outros R$ 258 mil na reforma.

Para que a passagem seja liberada, a prefeitura precisa construir as duas cabeceiras. O laudo técnico prevê a utilização de aterro envelopado, que consiste na instalação de camadas de tela sintética para diminuir o impacto da terra sobre a estrutura. O material está orçado em, aproximadamente, R$ 272 mil.

Tuga quer saber dos engenheiros se haverá a necessidade de limitar o peso que a ponte poderá suportar e qual será a vida útil da estrutura. O prefeito não descarta demolir a passagem caso ela seja condenada pelos técnicos.

A Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Bauru (Assenag) integra a lista de convidados do encontro. Em 2003, a entidade emitiu laudo afirmando que a Tofer Engenharia, responsável pela obra, não respeitou fielmente o projeto de construção, o que acabou provocando as rachaduras que levaram à interdição da passagem.

Para o presidente da Assenag, Marcos Wanderley Ferreira, a recuperação da ponte é viável, mesmo com os problemas verificados na sua construção. “Isso desde que o reforço na fundação tenha sido executado corretamente. O aterro enevelopado também é interessante, porque oferece mais segurança nas laterais”, comenta.

Ferreira avalia que a promoção de um encontro técnico para discutir o assunto é uma iniciativa válida. “Anteriormente, já foram feitas várias reuniões políticas sobre o assunto. A ponte é muito importante e é preciso definir o seu futuro com rapidez”, observa.

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O presidente da Câmara Municipal de Bauru, vereador Toninho Garmes (PSDB), também é a favor do encontro. “Como estão surgindo dúvidas se a ponte recuperada apresentará ou não problemas, penso que é preciso ter muita cautela. Nesse aspecto, nada melhor do que ouvir especialistas que possam informar se o aterro envelopado é eficiente”, destaca.

Garmes é autor da ação popular que propõe o ressarcimento dos valores investidos na ponte até o momento, desde a construção até a reforma. São citados no processo o ex-prefeito Nilson Costa, membros da sua administração e a empreiteira responsável.

Na sessão legislativa da semana passada, diversos vereadores utilizaram a tribuna livre da Câmara para cobrar uma decisão técnica para a ponte. Nilson, por sua vez, veio a público dizer que o projeto de reforma, elaborado pela Albiero Construções Ltda., é totalmente confiável.

O ex-prefeito inaugurou a ponte em setembro de 2000, às vésperas do pleito que garantiu o seu segundo mandato. Ele também foi o responsável pelo início das obras de recuperação, que incluíram o reforço na estrutura e fundações.

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Longa espera

A ponte Ayrton Senna liga a região do Núcleo Mary Dota ao Distrito Industrial 1. Desde a sua interdição, passagens provisórias foram construídas para garantir a travessia de pedestres, ciclistas e motociclistas. No entanto, o tráfego de carros e veículos pesados no local está proibido, fato que obriga os motoristas a utlizarem um percurso mais longo.

O montador de móveis Flávio Henrique da Silva cruza a passagem provisória com sua moto diariamente. “Esse é um acesso importante e que merece mais atenção. É um absurdo a ponte estar interditada há quase três anos”, comenta.

O açougueiro Wagner Wesley torce para que não seja preciso demolir a ponte. “Espero que a reforma termine logo, porque se tivermos que esperar a construção de outra vai levar ainda mais tempo”, declara.

O auxiliar de serviços gerais Ailton da Silva tem a mesma opinião. “Por tudo que já foi gasto até aqui, acho que a melhor solução é acabar a reforma. Será uma pena se a ponte tiver que ser demolida”, observa.

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