Tribuna do Leitor

A política fetichista do PT


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Tinha um fetiche. Era um apaixonado por pés femininos. Até que encontrou alguém que era a mulher de seus sonhos. Linda dos pés (principalmente os pés) à cabeça. Casou-se. Porém, ela era uma negação em termos de prendas domésticas e, todas as vezes em que ele reclamava de algum erro, insinuantemente ela lhe exibia os pés. Não se sabe se enfeitiçado ou resignado, ele calava-se e engolia tudo!

Diante das recentes denúncias de corrupção envolvendo o PT, a história acima me veio à cabeça. Basta aparecer o nome do partido em algo que destoe daquilo que sempre pregaram, para alguns petistas e aliados virem a público falar que não querem deixar um trabalhador governar o País; que a “herança maldita” do governo anterior impede a governabilidade; e ainda, da reforma agrária que as elites não querem que ocorra; além dos manjados discursos sobre geração de empregos, imperialismo, capital internacional, neoliberalismo, privatizações, etc.

Está mais do que na hora do governo petista atualizar o discurso, pois o mesmo já não enfeitiça mais o povo. Para se dar terra a todos, dentro do modelo proposto pelo PT de agricultura familiar, teríamos que morar num planeta três vezes maior. Em relação à terra, existe uma série de posições conflitantes: colocando de um lado os petistas-ambientalistas, que pregam a conservação da natureza, e de outro, os petistas-sem-terra que praticam a sua destruição. Para completar, surgiram os petistas-cupins, ligados ao Ibama, que vêm devastando as florestas para as quais são, ironicamente, pagos para conservar. Em relação a empregos, é uma questão de inteligência: não há empregos públicos ou privados sem empresas que os gerem na iniciativa privada e que com seus tributos também os gerem no setor público.

Os discursos marxistas-leninistas-trotskistas já não enganam mais ninguém. É tempo de colocar essas teses no seu devido lugar: o museu da história. Da mesma forma, é necessário guardar uma distância de pessoas como Fidel Castro e Hugo Chávez, e ainda desistir da canonização de Che Guevara; parar com a mania de atender a qualquer berro dos argentinos; cair na real quanto a idéia de ser líder regional e mundial (via Conselho de Segurança da ONU), pois a liderança vem automaticamente com os resultados obtidos por uma política séria e responsável; e ainda parar com o antiamericanismo latente, o qual já não dá mais para esconder. No mais, é preparar-se para uma faxina “ampla, geral e irrestrita”, pois, daí sim, irá emergir um PT autêntico, sério, responsável e comprometido com a moral e a ética.

O mar de lama que atingiu o PT, de forma direta ou indireta, atingiu também todos os partidos e a classe política como um todo. Todavia, não podemos generalizar, pois existem ainda políticos sérios e responsáveis. São poucos, é verdade, porém o povo sabiamente irá selecioná-los nas próximas eleições. Ou será que teremos que ressuscitar Diógenes e sua lanterna?! Grato pela publicação!

Antonio Vitorino Ferreira - RG 9.817.501

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