Pesca & Lazer

"Dois coelhos" com uma "tacada" s


| Tempo de leitura: 3 min

“Lembro-me como se fosse ontem... Aconteceu no dia de 1 de maio de 1998. Fui convidado para fazer parte de um grupo de amigos da faculdade para uma pescaria na baía de Antonina (PR). Pronto!!! Era tudo o que eu queria, pois fazia um tempinho que eu não pescava. Estava com os nervos à flor da pele. Em outras palavras, não via a hora do dia chegar.

Diante de tanta ansiedade, passei dias arrumando a tralha, separando anzóis, chumbadas, lubrificando molinetes e tudo aquilo que o pescador faz esperando o dia ‘D’. Na noite anterior, o sono demorou a chegar, pois estava tão ansioso que não conseguia dormir. Depois de rolar pro lado e rolar pro outro, acabei pegando no sono.

O despertador tocou 4h30 da manhã. É impressionante a diferença quando acordamos pra ir trabalhar e quando acordamos para ir pescar... Afinal de contas, mal o despertador tocou, já estava de pé. Tomei um café e o Tozim passou para me pegar. Fomos para o ponto de encontro e nos juntamos a outros três amigos (Eros, Sandro e Zeno).

Após uma viagem tranqüila, chegamos ao nosso destino e nos encontramos com Trabuco, nosso guia. Subimos no barco e compramos camarões vivos e manjubas vivas para isca. Chegando aos locais, todos optaram por utilizar o sistema de dois anzóis e chumbada gota na ponta.

Arremessamos nossas linhas e o primeiro peixe não demorou a aparecer: um bagrinho. Nossa pescaria nesse período se resumiu a bagrinhos, ovevas e um robalinho tric-tric ou outro que devia estar perdido na região. Rumamos para outro local, procurando as pescadas e nada...

O dia foi passando e mais bagres e ovevas iam se somando ao isopor e os camarões vivos diminuindo no viveiro. Em outras palavras, a pesca não estava muito boa. Mas, de repente, a maré mudou e a sorte também. Encostou um cardume de pescadas. A loucura no barco foi geral, pois a cada momento era gente tirando peixe da água. Aí todos em comum acordo mudaram para o sistema mais econômico. Colocaram chumbadas oliva, soltas na linha, com um só anzol para poupar os camarões. E mais pescadas e calafates. Era peixe pacas!!!

Estávamos com ação contínua quando na linha do Trabuco deu um puxão mais forte. Diante da cena e dos fatos, recolhemos nossas linhas para não atrapalhar o ‘bruto’. Quando o peixe encostou no barco e pegamos o passaguá para retirá-lo da água, a surpresa!!! Pela primeira vez, tinha visto um pescador pegar dois peixes com um só anzol.

A risada foi geral. O saldo foi uma pescada de uns 500 gramas e uma oveva de um palmo. A pescada estava com a linha e o anzol transpassado por sua guelra e a oveva presa no anzol. Ninguém acreditava naquela cena, pois foi um negócio engraçado e muito estranho. A teoria mais provável foi que a pescada atacou o camarão só que, quando foi engolir, o camarão e o anzol passaram pela sua guelra e a Oveva kamikase atacou. Passada a euforia no barco, comentei:

- Vocês já pararam pra pensar que se contarmos essa história ninguém vai acreditar?

O silêncio foi geral e quebrado por mim mesmo:

- Essa situação que aconteceu é nossa e vai ficar apenas entre nós cinco.

Após isso, os peixes sumiram, os camarões acabaram e rumamos para casa. É gente... Tenho certeza que 99,95% das pessoas que lerem isso não vão acreditar, mas os outros 0,5% que vão acreditar serão correspondentes ao Tozim, ao Eros, ao Sandro, ao Trabuco e eu...

Todos tripulantes da pescaria onde dois coelhos (peixes) foram pegos com uma tacada (anzol) só.”

Carlos Eduardo Ogasawara é pescador e contador de histórias

Comentários

Comentários