Em uma mensagem de João Paulo II, “Da Justiça de Cada Um Nasce a Paz para Todos”, o falecido papa dirigiu-se aos cristãos e, especificamente, aos chefes de Estado. Entre outras coisas, abordou sobre a corrupção. Para o papa, há nações e regiões inteiras do mundo que, por causa da sua frágil capacidade financeira ou econômica, correm o risco de ficar excluídas da economia que se vai globalizando. Outras possuem maiores recursos, mas não podem, infelizmente, tirar proveito deles por diversos motivos: desordens, conflitos internos, falta de estruturas adequadas, degradação ambiental e corrupção generalizada.
E que dizer das graves desigualdades existentes nas nações? Situações de pobreza extrema, onde quer que apareçam, constituem a primeira injustiça. A sua eliminação deve significar para todos uma prioridade. Não se pode calar. O vício da corrupção mina o progresso social e político de tantos povos. É um fenômeno crescente, que vai penetrando insidiosamente na sociedade, burlando-se a lei e ignorando as normas da justiça e da verdade. A corrupção é difícil de combater. É preciso coragem mesmo só para denunciá-la. Depois, para suprimi-la, requer-se, juntamente com a vontade tenaz das autoridades, o apoio generoso de todos os cidadãos, sustentados por uma forte consciência moral.
Uma grande responsabilidade nesta batalha recai sobre as pessoas que detêm cargos públicos. É seu dever empenhar-se por uma equilibrada aplicação da lei e pela transparência em todos os atos da administração pública. Posto ao serviço dos cidadãos, o Estado é o gestor dos bens do povo, que deve administrar. O bom governo requer o controle pontual e a plena legalidade em todas as transações econômicas e financeiras. Não se pode permitir, de maneira alguma, que os recursos destinados ao bem público sirvam para outros interesses de caráter privado ou mesmo criminoso.
O uso fraudulento do dinheiro público penaliza os mais pobres, que são os primeiros a sofrer a privação dos serviços básicos. Quando, depois, a corrupção se infiltra na administração da Justiça, são ainda os pobres quem mais duramente suportam as conseqüências: atrasos, ineficácia, carências estruturais e falta de uma defesa adequada. E tantas vezes não lhes resta outro caminho senão sofrer.
Quando pensamos em corrupção só pensamos no corrupto, mas o corruptor é muito pior. É ele quem aufere polpudos lucros, quem ganha realmente com a corrupção. É dele, em geral, a iniciativa para que o corrupto de um órgão público compre produtos ou serviços, alguns nem são executados, outros estão fora do especificado (se estivessem corretos fossem não necessitariam de propina). Coisa de criminoso.
A corrupção já faz parte de nossa cultura. Quando um político assume um cargo, já se imagina que vá roubar, enriquecer. A maioria, realmente, aumenta seu patrimônio, deixa seus cargos com carros de luxo, roupas de grife, canetinhas de ouro, apartamentos, casas e fazendas. Faz do “Estado” o que fazem os asquerosos e nojentos parasitas, como a tênia e a solitária.
Se ouvir uma proposta indecente, chame a TV! Não procure os políticos rivais, pois a sua denúncia virará moeda de barganha para esconder os próprios escândalos e a sociedade perde. Procure um meio de comunicação idôneo. Cidadão: seja honesto e íntegro. Veja as crianças famélicas e abandonadas, os velhos desassistidos, os doentes moribundos, e os hospitais falidos, é da desonestidade, da corrupção e da falta de qualidade na infra-estrutura de nossa sociedade que está a origem desses males. Faça sua parte, colabore para a construção de um mundo onde justiça e paz estejam presentes nos corações humanos.
O autor, Mário Eugênio Saturno, é tecnologista sênior da Divisão de Sistemas Espaciais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, professor do Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva e congregado mariano. E-mail: mariosaturno@uol.com.br)