Nota “dez” para a charge do JC publicada na última quinta-feira onde um impagável Roberto “Nero” Jefferson, de toga e sandálias, toca uma lira ,enquanto, ao fundo, arde em chamas uma Brasília ao som de “ti voglio tanto benne”... É um daqueles raros e felizes casos onde uma imagem vale por mil palavras! Roma caiu e levantou-se repetidas vezes enquanto Capital de dois impérios e, quando do renascimento europeu, teve um papel ativo neste movimento cuja repercussão nas artes e nas ciências (principalmente a jurídica) foi mundial. Mas, para chegar a isso, pegou fogo, foi invadida e saqueada ao menos cinco vezes ao longo de sua história...
Já a nossa Brasília, nascida sob o signo da esperança em um futuro inegável de prosperidade, paz e justiça pelas mãos de um sonhador que, acima de tudo, acreditava no povo brasileiro e na sua capacidade de trabalhar e criar “do nada”, acabou vítima de um isolacionismo político e social que lhe foi impingido pelas elites que viram na Capital da Nação não um centro para onde deveriam convergir as discussões sobre Pátria, Nação, povo e Estado, mas que efetivamente reduziram-na ao pífio papel de escritório de barganha dos interesses de um pequeno grupo que nela se encastelou há décadas e que, em resumo, são sempre os mesmos!
Brasília (leia-se o Brasil) não precisa arder em chamas feito a Roma de Nero para se refazer, bastando “só”, a exemplo de Jericó, que o povo viesse a cumprir mais e melhor sua missão e lhe derrubasse os muros invisíveis que a cercam quando entoa seu grito nas urnas!
Paulo Boccato - acadêmico de direito