Reginaldo Valadão, ferroviário da extinta Estrada de Ferro Sorocabana, demitido por ocasião do golpe militar de 1 de Abril de 1964, foi vereador na cidade de Osasco e deputado estadual por duas legislaturas pelo antigo MDB.
Hoje, aos 66 anos de idade, esbanja vitalidade e simpatia, demonstrando não ter perdido o senso de humor, mesmo com os percalços da vida. Jovialidade permanente, tanto é que joga futebol com os amigos até hoje.
Tenho tido contatos com Valadão nos últimos tempos e divirto-me com as histórias contadas pelo velho guerreiro. Resolvi compartilhar algumas delas com vocês, mesmo correndo o risco de ser mandado sonoramente para a ponta da praia ou de ser chamado de filho do padre.
Deputado estadual, vai até a cidade de Cerquilho participar de uma reunião e atrasa-se para uma sessão da Assembléia Legislativa.
Vira para o motorista e determina:
- Acelera... toca o pau que estou atrasado!
O motorista cumpre as ordens e vai na Rodovia Castelo Branco a toda, enquanto Valadão vai lendo a pauta da sessão no banco de trás do veículo.
A Polícia Rodoviária intercepta o veículo por excesso de velocidade e o policial gozador chega para o motorista:
- Os documentos da aeronave e o brevê do piloto, por favor!
O motorista olha para o banco de trás e o deputado, compenetrado, lendo. Entrega os documentos para o policial e este começa o sermão:
- O senhor coloca em risco os passageiros de seu veículo, os outros inocentes que por aqui trafegam...
Nisto, Valadão interrompe o policial:
- Ô sargento... por favor... se for multar, multa logo... pois são quase 14h e às 14h30 tenho que estar na Assembléia para votar o aumento da Polícia Militar...
- Como é? indaga o policial
- Tenho que votar o aumento da polícia daqui a pouco... e estou atrasado...
O soldado rapidamente devolve os documentos para o motorista e diz:
- Toca o pau rapaz... Vê se aprende a andar rápido...
Esses dias, o velho companheiro Valadão está em estado de graças. Teve a felicidade de solucionar parcialmente uma pendenga com a Secretaria da Fazenda do Estado e, além de ter um aumento salarial, ainda recebeu uns trocados de atrasados.
Conversando, rindo, me soltou esta:
- Estou tão feliz... rindo à toa... que acho que vou até colocar uma dentadura nova... A velha tá muito gasta!
Contada por Antônio Pedroso Jr.