Bairros

Quintais são focos de leishmaniose

Da Redação com Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Os quintais - e não os terrenos baldios - são os principais focos de leishmaniose em Bauru, apontam os dados parciais do diagnóstico ambiental que está sendo feito na cidade pelo Departamento de Saúde Coletiva (DSC). O maior problema está nos imóveis com vegetação que produz sombra, ou seja, árvores no fundo do quintal, com copa grande, que vedam o acesso do sol, e tornam o ambiente úmido.

Com a queda das folhas ou frutos, o material entra em decomposição e está formado um dos ambientes perfeitos para a proliferação do mosquito palha, transmissor da doença. A informação é da assessoria de imprensa da prefeitura. Neste ano já foram registrados nove casos de leishmaniose em humanos em Bauru e duas mortes em conseqüência da doença. No ano passado, foram 28 casos da moléstia em humanos e três mortes. Em 2003, foram 17 casos e uma morte.

Antes do início do estudo, a suspeita que os criadouros do mosquito palha ficavam em terrenos baldios. Tanto que já foram feitos mutirões de limpeza em terrenos baldios localizados em bairros com maior incidência da leishmaniose. “A gente achava que o perigo estava nos terrenos baldios onde jogam lixo e animais mortos. Não imaginava que os quintais tenham tanto lixo assim para criar o mosquito”, comenta Maria Lúcia Oliveira, moradora do Núcleo Édson Francisco da Silva (Bauru 16), bairro que é foco da doença.

Vizinha de um terreno do Parque Roosevelt alvo de mutirão de limpeza no início do ano, Renata Carvalho Santana conta que sempre se preocupou com a área e não com os quintais. “No meu quintal não deixo folha e lixo acumulados por isso sempre achei que o perigo da leishmaniose estava nos terrenos baldios”, argumenta. Mas ela pondera: “Mas a verdade é que a gente não sabe como é o quintal do vizinho”.

O diagnóstico está sendo feito porque o DSC precisa saber onde realmente está o problema, qual a situação predominante para, assim redirecionar algumas ações com enfoque educativo e conforme o problema localizado. Os números, que foram apresentados ontem em uma reunião entre técnicos do DSC e da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), variam de uma região para outra, mas a seqüência de problemas é a mesma.

Folhas

Em segundo lugar no ranking dos focos de proliferação do mosquito palha estão os imóveis com folhas, frutos, troncos e raízes em decomposição. Na seqüência, ainda é problema dentro dos quintais a existência de fezes de animais. A presença de canteiros com esterco como adubo vem em seguida.

O registro é feito quando esses materiais são encontrados em situação de decomposição, ou seja, em situação de proliferação do mosquito transmissor. A criação de galinhas nos quintais é outro problema considerado seríssimo porque o sangue destas aves serve como alimento para o mosquito e as fezes como depósito para os ovos do inseto.

Outras situações, com índices menores, estão na existência de cavalos, porcos, gatos e a presença de outros animais (coelhos, tartarugas, dentre outros). Com esses dados em mãos, o DSC vai traçar um projeto educativo e dar orientações específicas como podar a copa das árvores para entrar sol embaixo, rastelar as folhas, recolher os frutos, e assim por diante.

A intenção é envolver a comunidade. Algumas idéias foram colocadas para envolver a população através das associações de bairros, escolas, entidades religiosas. A técnica da Sucen Maria Elena da Silva elogiou o trabalho do DSC e vai apresentando os dados coletados em Bauru em reunião do órgão em São Paulo, na segunda-feira.

Comentários

Comentários