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Eletricitários fazem paralisação para pressionar negociação com CPFL

Rose Araújo
| Tempo de leitura: 2 min

Parte dos cerca de 180 funcionários da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) da regional Bauru fizeram uma paralisação ontem em Bauru entre 7h e 9h como forma de pressionar a empresa nas negociações do acordo coletivo da categoria. Durante a mobilização, os serviços essenciais e o desligamento programado de fornecimento de energia foram mantidos. Os demais setores teriam aderido à paralisação, com exceção das gerências.

A CPFL, por meio de nota de esclarecimento distribuída por sua assessoria de imprensa, disse lamentar a manifestação sindical ocorrida na manhã de ontem na portaria da Vila Falcão, “impedindo o acesso de trabalhadores às dependências da empresa por aproximadamente um hora”.

Na nota, a concessionária de energia elétrica classifica a manifestação como “surpreendente e intempestiva por parte do sindicato” e acrescenta que a paralisação prejudicaria a evolução das negociações coletivas devido a postura dos dirigentes em cada rodada.

“A empresa está evoluindo positivamente nas negociações e, no momento exato, apresentará sua proposta final para fechamento do acordo coletivo, com todas as entidades, contemplando as reivindicações dos trabalhadores dentro dos limites máximos possíveis de concessão, para ter efeito a partir de junho deste ano”, finaliza a nota.

Já o diretor do Sindicato da categoria (Sinergia/CUT) Jesus Francisco Garcia avalia que as conversas com a empresa não avançam porque a consultoria contratada para as negociações não tem autonomia. Segundo ele, a cada encontro os interlocutores da CPFL teriam de consultar os acionistas da empresa.

A data-base da categoria é em junho e os trabalhadores reivindicam 10% de ganho real, além da reposição de 8,47% da inflação medida pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A pauta também envolve correção de todos os benefícios dos trabalhadores.

Segundo explicações de Garcia, este é o momento ideal para avançar no ganho salarial pois a CPFL estaria com ótimo desempenho financeiro. Em 2004, segundo o sindicato, a empresa teria obtido 892,2% de crescimento de lucratividade, que corresponderia à cifra de R$ 323 milhões. Em contrapartida, o sindicato da categoria afirma que no mesmo período a concessionária de energia obteve queda nas despesas operacionais de 16,55% e o fornecimento de energia elétrica teria crescido 17,1%.

A paralisação de ontem segue estratégia denominada de “Operação Pipoca”, constituída por ações de paralisação, para mobilizar os 400 funcionários da CPFL na macrorregião compreendida pelas cidades de Bauru, Lins, Jaú, Marília e Botucatu. (Ricardo Santana)

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