Auto Mercado

1.4 invade o mercado

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

Lançados há pouco mais de uma década no País, os carros com motores 1.4 nunca estiveram tão em alta como atualmente no mercado nacional. Antes relegados a uma ou outra opção entre as montadoras, hoje já se espalharam por diversos segmentos, atingindo a marca de nove versões, e contribuíram para “roubar” admiradores dos automóveis 1.0 e dos propulsores mais potentes como os 1.6, 1.8 e 2.0.

O fato é que as montadoras “abriram os olhos” para esse filão comercial. A Fiat deu prova recente desse novo “status” dos 1.4 no mercado brasileiro ao “aposentar” os propulsores 1.3 bicombustíveis e equipar, de uma só vez, o Palio, Palio Weekend, Siena e a picape Strada com motores flexíveis dessa cilindrada.

Entretanto, o crescimento da atual geração 1.4 não ocorreu por acaso. Um dos maiores estímulos foi a diminuição do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos com motores acima de 1.0. Mas o ponto principal para a “invasão” reside no fato dos carros dessa cilindrada equilibrarem uma “equação” com elementos fundamentais para os consumidores: preço, consumo e potência.

“Os grandes trunfos desses automóveis é que, além do menor custo de produção dos motores, são mais potentes que os 1.0, mas mantém preços e níveis de consumo de combustíveis similares e próximos aos carros mil”, analisa Fernando Vieira de Mello, gerente comercial de uma concessionária Chevrolet de Bauru. E acrescenta: “Esses foram alguns dos fatores que fizeram diminuir as vendas dos 1.0 no mercado.”

Esse perfil “bate” com o dos compradores dos 1.4 e também ajuda a explicar as razões do sucesso dos automóveis com essa cilindrada. “Quem os procura, geralmente, são pessoas que buscam carros mais potentes e de desempenho superior aos 1.0 mas que não querem gastar tanto a mais com combustível e no valor para adquiri-los mesmo sendo uma motorização maior”, enfatiza o gerente Carlos Alberto Semenara, de uma revenda Fiat da cidade. “Em suma, as pessoas encontram nos 1.4 as mesmas qualidades dos 1.0, 1.6, 1.8 e 2.0 sem precisar dispender valores muito maiores de dinheiro para usufrui-las. ”, complementa.

São por esses motivos, observa Semenara, que a maioria dos consumidores dos 1.4 são aqueles que “migraram” de veículos de segmentos mais potentes e luxuosos. “Cerca de 60% a 70% tinham carros 1.6, 1.8 ou 2.0 e estão descendo atraídos pelo equilíbrio de virtudes dos 1.4”, revela. “E, depois que os adquirem, dificilmente voltam a comprar carros de maior potência e luxo”, afirma.

Desta forma, Semenara crê que a tendência de mercado para os 1.4 é de crescimento. “Mais cedo ou mais tarde, as montadoras que ainda não oferecem essa opção acabará adotando-a”, prevê o gerente. E, para sustentar seu raciocínio, ele expõe uma série de argumentos. “O desempenho dos atuais 1.0 é excelente, mas é claro que têm limitações. Já os veículos mais potentes gastam mais combustível, são mais caros e têm a manutenção, os impostos e os seguros mais caros”, conclui.

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Quem comprou

Quando o bancário bauru-ense Amauri Pinheiro Bezerra resolveu trocar de carro, não teve dúvidas. Incentivado por um amigo que já havia adquirido um carro com motorização 1.4, apostou na compra de um Celta com essa cilindrada e afirma que não se arrependeu de ter deixado para trás um automóvel mais potente e espaçoso.

Ex-dono de um Astra 2.0, Bezerra conta estar tão satisfeito com seu novo automóvel quanto com o anterior. “Ele é bem mais econômico no consumo e, em termos de potência, o desempenho não deixa nada a desejar”, garante o bancário.

Bezerra pondera que, mesmo com menor espaço interno, o custo-benefício gerado pela relação potência-consumo do veículo é uma grande vantagem. “Principalmente porque ele é muito utilizado para viajar”, argumenta.

Outro que também entrou para o “time” dos 1.4 é o bauruense Alcides Toru Yamamoto. Depois de já ter sido dono de vários veículos com as mais diversas motorizações - 1.0, 1.6, 1.8 e 2.0, sendo o último um Vectra -, Yamamoto ressalta que decidiu comprar um Palio 1.4 por vontade de experimentar um carro com esse propulsor. “É a primeira vez que tenho um desses e, apesar do pouco tempo que estou com ele, está me agradando em virtude de ser um carro bem mais potente que os 1.0.”

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Você sabia que...

• Em 1994, a Chevrolet lançou o Corsa com motor 1.4? Entretanto, as vendas do modelo não “decolaram” devido ao seu desempenho limitado

• A Ford também lançou um Fiesta com essa cilindrada em 1996? Mas, assim como o Corsa 1.4, o carro não evoluiu no mercado devido, principalmente, ao fato do propulsor ter alto nível de tecnologia e ser importado da Espanha, o que encareceu seus custos

• Há casos em que as versões 1.4 vendem mais que as outras motorizações oferecidas pelas montadoras? É o que ocorre com o Honda Fit, cuja participação do modelo 1.4 nas comercializações é de 75% (a 1.5 responde pelos 25% restantes)

• Também há situações em que os 1.4 empatam em vendas com as demais motorizações? Casos dos Peugeot 206 hatch e perua, cujo “mix” se iguala aos propulsores 1.0 (hatch) e 1.6 (hatch e stationwagon)

• Segundo dados da Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), somente na primeira quinzena deste mês a participação dos carros “populares” no mercado diminuiu de 56% para 46,8%? Já no acumulado do ano, quando comparada com igual período de 2004, a queda é ainda maior: 11,2%

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