Bairros

Bairro experimental acumula problemas

Sérgio Pais
| Tempo de leitura: 2 min

Os mutuários que aceitaram ocupar os imóveis construídos na Vila Tecnológica amargam a angústia de não saber se suas casas ainda estarão em pé antes de terminarem de pagar os carnês do financiamento.

A Vila Tecnológica resultou de um projeto desenvolvido pelo governo federal através do Programa de Difusão de Tecnologia para Construção de Habitação de Baixo Custo (Protech) e a Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab) que visava a obtenção de melhoria de qualidade, redução de custo em núcleos habitacionais e principalmente atender a população de baixa renda.

As unidades habitacionais do empreendimento, inaugurado em 1996, foram edificadas numa área de 56 mil metros quadrados, próxima à avenida Lúcio Luciano, adjacente ao Conjunto Habitacional Bauru 25.

O programa utilizou nada menos que onze tecnologias construtivas distintas que, através das respectivas empresas construtoras, assumiram a edificação das unidades habitacionais contratadas. A prefeitura participou na infra-estrutura da obra, como cessão e terraplenagem dos terrenos, implantação de redes de água, luz, esgotos, guias e sarjetas.

As unidades foram comercializadas através da Cohab e deveriam receber acompanhamento pelo Conselho Técnico da Secretaria da Habitação Federal, que avaliaria o comportamento da construção sob vários aspectos.

Alguns moradores, porém, garantem que foram “abandonados” e que desde a ocupação das 101 residências e um prédio de 16 apartamentos, nunca existiu um acompanhamento dessas novas tecnologias construtivas e dos materiais. “Nunca tivemos qualquer tipo de orientação”, garante a ajudante de serviços gerais Tânia Mara Brasil, 48 anos, sete deles vividos numa casa de madeira da Vila Tecnológica.

Ela revela toda sua aflição ao perceber que sua casa está ruindo sem que nada seja feito. “Ouvi dizer que a Cohab tinha intenção de ajudar, já fotografaram minha casa, mas até agora nada aconteceu”, relata. Segundo ela, se as soluções demorarem a chegar, não haverá tempo porque a “casa cai antes”.

Brasil revela que as madeiras estão apodrecendo e cedendo, abrindo vãos nas paredes. Algumas janelas só não caíram porque a moradora improvisou calços para segurar o conjunto. No banheiro, um enorme buraco na parede foi tapado com algumas tábuas.

“Eu gosto da minha casa, mas, tadinha, ela é muito frágil”, confessa a ajudante de serviços gerais. Mesmo assim, ela admite que, sem esperança de ver o problema solucionado, gostaria de deixar a casa. “Se a Cohab me der outra casa em outro bairro, eu saio”, revela.

O maior problema na Vila Tecnológica é a deterioração precoce dos materiais empregados e que podem comprometer a estrutura das casas, que apresentam rachaduras e vazamentos. As de madeira têm peças apodrecendo, apresentam problemas com cupim, caixa d’água com perigo de cair e alguns moradores acreditam não haver mais salvação.

Alguns apartamentos apresentam paredes pretas devido à infiltração. Em outra situação, casas feitas de madeirite, espuma e uma fina camada de concreto têm graves rachaduras por onde entra vento. A estrutura da casa impede que os moradores façam reformas ou ampliações. A casa parece tão frágil que chega a tremer quando um caminhão passa pela rua.

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