Após um hiato de mais de dez anos sem gravar um disco com composições próprias, o saxofonista Leo Gandelman lança “Lounjazz”, com músicas autorais - oito das 12 faixas - e muita mistura de ritmos.
Lançado por seu próprio selo, Saxsamba, o álbum mescla jazz, samba, bossa nova e choro, entre outros gêneros, como o próprio nome sugere. A batida eletrônica tem presença marcante em músicas como “Dançarará Remix”, “Canto de Ossanha” e “Tico Tico Lounge”.
O músico está em fase de preparação do show de divulgação do CD e afirma, em entrevista ao JC Cultura, que pretende tocar em Bauru, onde nunca se apresentou. “Queria mandar um grande abraço para o pessoal de Bauru e dizer que estou fazendo um trabalho forte no sentido de conseguir chegar mais o longe que eu puder. Nunca toquei em Bauru e gostaria muito de tocar aí”, frisa. Outras informações sobre o saxofonista podem ser obtidas no site www.leogandelman.com.br. Confira, a seguir, trechos da entrevista.
JC Cultura - Como você avalia esse momento na sua carreira?
Leo Gandelman - É um momento superespecial. Eu estava fora do Brasil há muito tempo - estava nos Estados Unidos desde o final de 95 e voltei no início de 2002. Em 2002, eu lancei um DVD ao vivo que foi meu último lançamento. O DVD era uma apanhado de carreira - as músicas que mais marcaram com novos arranjos. E agora estou lançando esse CD com músicas inéditas. Há muito tempo eu não fazia um disco com composições minhas - desde 1993. Compus as músicas no início de 2004 e de abril a junho gravei no estúdio. Demorei um tempo porque estava resolvendo o que eu faria com o selo porque esse é o meu primeiro trabalho independente também. Então a expectativa é grande.
JC Cultura - O trabalho de composição fazia falta a você?
Leo - A composição fazia falta sim, para ser sincero. Eu passei muitos anos viajando muito e não tinha tempo para isso. Só agora surgiu essa oportunidade.
JC Cultura - Ouvindo o disco, percebemos que seu trabalho reúne influências diversas - do samba e jazz à música eletrônica...
Leo - Meu trabalho hoje é um reflexo de minha formação como profissional e como estudante de música. Estudei música clássica desde pequeno, até os 15 anos, quando fui solista da Orquestra Sinfônica Brasileira. Mais tarde, com 19 anos, comecei a tocar sax. Fui estudar jazz na Berklee College of Music, em Boston, e voltei em 1979, quando comecei minha carreira profissional. Como profissional, acompanhei os mais diversos cantores da música brasileira. Trabalhei com samba, bossa, rock; produzi artistas como Marina, Gal; Trabalhei com Lulu Santos, Guilherme Arantes, etc. A minha carreira hoje é um filtro de minha experiência profissional. Tenho participação em mais de 800 discos e mais de 16 lançamentos de carreira.
JC Cultura - Esse é o seu disco mais “eletrônico”?
Leo - O trabalho tem coisas acústicas e coisas eletrônicas. É uma das razões de eu ter colocado esse nome, “Lounjazz”. Eu trabalho com computação desde 1987. Era uma outra linguagem na época, mas eu uso computador no palco desde essa época. Ao vivo e em estúdio. Só que essa tecnologia moderna do áudio digital comecei a trabalhar há pouco tempo. Estava sempre com o pessoal do Bossa Cuca Nova e essa troca com eles foi muito importante para mim. Eles participam de “Tico Tico Lounge”, “Canto de Ossanha”, e “Dançarará Remix”. Essa troca, foi o lado mais forte da parte eletrônica do disco.
JC Cultura - A faixa remix de “Dançarará” também foi influência deles?
Leo - O pessoal do Bossa Cuca Nova achou que tinha tudo a ver fazer essa versão para DJs. A minha intenção é mostrar meu trabalho para um tipo de público que não iria procurá-lo. Existe uma galera que curte esse tipo de som mas que, por uma série de motivos, não iria procurar.
JC Cultura - Por que a participação de Seu Jorge?
Leo - O Seu Jorge era meu vizinho no Leblon, antes de eu mudar (agora estou na Gávia). O disco foi composto em casa, no meu laptop. Eu comecei a fazer uma música com o Juliano (Zanoni) e o André Vasconcelos, que deu vontade de colocar a letra. Chamei o Seu Jorge e ele fez a letra na hora.
JC Cultura - O que você tem ouvido?
Leo - Eu sou um cara muito eclético. Ouço de Coltrane a Bossa Cuca Nova. Tenho meus momentos. Ouço música por informação, por lazer. Não sou um cara muito regrado. Principalmente com a questão da audição. Sou ouvinte eclético.