O surto de dengue em Bauru está sob controle, mas o número de pendências no trabalho de bloqueio está acima da média aceitável, estabelecida pelas normas técnicas que regem o trabalho de controle de endemias, informa a assessoria de imprensa da prefeitura de Bauru. Os maiores problemas enfrentados são casas fechadas e moradores que impedem a entrada dos técnicos.
Bauru não registra casos da doença há quase dois meses. Desde o início do ano são 35 casos, sendo 31 autóctones (contraídos na propria cidade) e quatro importados. O maior número de casos autóctones ocorreu na Vila Cardia.
Dados do Departamento de Saúde Coletiva (DSC), órgão da Secretaria Municipal de Saúde, mostram que foram realizados 51.880 bloqueios. O trabalho atualmente é feito de forma centralizada (todas as equipes são direcionadas para o foco do problema). No entanto, o que preocupa o DSC é o alto índice de recusas ou casas fechadas. São 30.129 casos, o que representa um índice de 36%.
Segundo o DSC, a média em Bauru ficava entre 15% e 17%, índice aceitável conforme as normas, quando o trabalho era feito de forma setorizada (cada setor da cidade contava com uma equipe fixa). Diante da situação, a Secretaria da Saúde e a Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) avaliaram o diagnóstico da cidade e levantaram algumas sugestões para envolver a comunidade num trabalho educativo, através das entidades representativas.
Uma das propostas é envolver as imobiliárias no trabalho de combate à dengue. A Secretaria de Saúde faria o controle emergencial e as imobiliárias ficariam responsáveis pelas residências.
As escolas também terão papel fundamental na conscientização e formação de agentes multiplicadores, assim como as associações de bairros e demais entidades de classe. Outra proposta é uma parceria com a Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes), por meio da Central de Mão de Obra, para um cadastro de profissionais liberais que possam atuar na limpeza de caixas d’água e calhas. Outra providência é o agendamento para o trabalho de bloqueio nos casos pendentes.
O objetivo do DSC é voltar à situação do ano passado, quando Bauru não registrou casos autóctones da doença, mesmo depois de uma epidemia no ano anterior.