Em meio aos entulhos e galhos de árvores, apenas um garoto se arriscava a passar pelo buraco que divide a Rua 3, no bairro Ferradura Mirim, maior bolsão de pobreza da cidade. Para o menino, nada além de uma inocente brincadeira. Para os demais moradores da rua, porém, o buraco de cerca de 100 metros de extensão e um metro de profundidade é motivo de revolta e reclamações.
“Aqui não tem remédio”, resume o autônomo Eliseu Ribeiro. Segundo ele, o problema se estende há seis meses e piora a cada chuva. “Na última chuva forte, a rua parecia um tsunami”, brinca Ribeiro, ao fazer referência às ondas gigantes que atingiram a Ásia em dezembro do ano passado.
Para atenuar os efeitos das chuvas e evitar estragos maiores, os moradores colocam entulhos e galhos de árvores no local, o que não reduz os riscos. O carroceiro José Pereira Lopes é um dos moradores que vivem em frente ao buraco e enfrentam dificuldades para entrar e sair com o carro. “Já caí duas vezes no buraco e o carro estragou por baixo”, lembra Lopes. Em outra ocasião, um veículo teria ficado “em pé”, ao cair no local. “Agora nem saio com o carro, só com a carroça. E já passei beirando (o buraco)”, diz Lopes.
Durante os seis meses de existência, a profundidade da erosão já chegou a quatro metros e a largura, a mais de dois metros. Além de perigo para as crianças, o problema recorrente alterou a rotina das pessoas e também de serviços como o da limpeza pública, que não consegue passar pela rua. Devido ao lixo levado pelas chuvas, o local se torna depósito de sujeira e, nos dias quentes, os moradores reclamam de mau cheiro.
“Fazemos reclamações constantemente à prefeitura. Estamos muito descontentes com a administração. Sabemos que Bauru tem outros problemas, mas gostaríamos que fosse arrumado”, afirma a presidente da associação de moradores da Ferradura Mirim, Gisele Moretti.
Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, funcionários da Secretaria das Administrações Regionais (Sear) irão vistoriar a rua para ver o que precisa ser feito. Após isso, a realização da obra será agendada na programação da secretaria. A assessoria não precisou o dia da vistoria.