Tribuna do Leitor

Corrupção histórica


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A corrupção no Brasil é descrita desde os tempos imemoriais, tanto por parte do “povo” que ocupou nosso território quanto por parte dos governos que aqui aportavam sem o desejo de construir uma nação. Historicamente, começamos a ver o sentimento de indignação em meados do século passado, traduzido, sabiamente, pelas palavras do emérito Ruy Barbosa quando este sentenciou que “de tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver crescer as injustiças, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o Homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.”.

Entretanto, se é que se pode dizer que a corrupção progride, a nossa deu um salto quantitativo e qualitativo nos últimos 20 anos. De casos velados, passamos a ter casos cada vez mais desconcertantes e o político passou a ser mais “cara de pau”, como se a nação toda fizesse parte de uma mesma quadrilha. As cifras, igualmente, passaram a dobrar, a triplicar a quantidade de “zeros”, como se o erário fosse uma fonte inesgotável de dinheiro fácil. Aliás, até é dinheiro fácil para se subtrair ilicitamente, mas advém de um custoso sistema tributário que engessa a economia e o crescimento, sobrecarregando uma classe média cada vez mais achatada (e achacada). Somos furtados diuturnamente, às escâncaras, sem direito de defesa enquanto somos obrigados a viver administrados por um covil de ladrões.

Discursos estéreis como o de Lula, que alega que “cortará na própria carne se necessário”, são absolutamente ineficazes contra nosso eficaz sistema de corrupção. O combate a esse mal implicaria três fases: 1) denúncia e divulgação, 2) punição exemplar de todos os responsáveis diretos e indiretos e 3) devolução das bilionárias quantias subtraídas.

Por um deprimente interesse político-administrativo, nunca, absolutamente nunca, se passa da fase 1, pois que ninguém corta a própria carne, nem o Lulinha Paz e Amor. Conquanto tenhamos visto pelo menos uma dúzia de casos de corrupção no governo atual, em todos o Chefe Maior endossou a “conduta” de seus subordinados, dizendo até que “entregaria um cheque em branco” para um deles.

Somos o que somos e, por mais que muitos discordem, somos quem merecemos ser. Em face de nosso passado histórico e do desempenho abaixo do sofrível para um País do nosso porte, em comparação com as demais nações do globo, em face da nossa bancarrota como eterno país subdesenvolvido, tomo emprestado o raciocínio do grande Ruy Barbosa, para tristemente afirmar que “tenho vergonha de ser brasileiro”.

Ivan Garcia Goffi - OAB/SP 165.173

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