O Centro de Memória de Bauru (ex-Universidade Estadual Paulista (Unesp)/Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA)) completa amanhã dois meses fechado e sem previsão de reabertura do acervo para pesquisadores.
O impasse que envolve o órgão teve início em abril, conforme já publicado pelo JC Cultura, quando o então coordenador da entidade, o historiador e professor aposentado da Unesp João Francisco Tidei de Lima, deixou o cargo, após 13 anos desempenhando a função. Ele foi demitido (sem justa causa), inserido no grupo de 48 pessoas contratadas pela Fundação da Universidade Estadual Paulista (Fundunesp) que não são funcionárias públicas mas estavam trabalhando em órgãos públicos.
Quem deve assumir em breve o comando do Centro de Memória é o professor Nilson Ghirardello, do Departamento de Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo (Daup) da Unesp, que ainda não foi oficialmente nomeado para o cargo. “A situação ainda é a mesma (de um mês atrás) porque ainda não saiu a portaria que me nomeia”, explica Ghirardello, em entrevista ontem ao JC Cultura.
Ana Maria Martinez Corrêa, responsável pelo Centro de Documentação e Memória da Unesp (Cedem), explica que, sem a nomeação do professor, não há como reabrir a entidade. Quando ela voltar a ter oficialmente um coordenador, a segunda etapa do impasse terá de ser resolvida: a assinatura de novo convênio para que a Unesp continue com a guarda da documentação.
A indefinição deve-se à medida provisória 246, de 6 de abril deste ano, que determinava que os bens da RFFSA passariam a pertencer à União. Embora a MP tenha caído, Ana Maria afirma que a Unesp terá de se reportar ao Arquivo Nacional para tratar da guarda e manutenção do patrimônio.
“Não sabemos o que vai acontecer com os bens. Sabemos que podemos fazer a negociação. Ainda precisamos fazer um convênio para garantir a custódia da documentação e estamos estudando isso”, afirma a responsável pelo Cedem, que espera contar com apoio da Prefeitura de Bauru para reabrir o Centro de Memória e disponibilizar 100% de seu acervo para consulta - hoje, 60% da documentação está em estado bruto. Somente após resolver tais pendências, a universidade poderá buscar recursos e pessoal para trabalhar.
Prefeitura
O secretário municipal de Cultura, José Augusto Ribeiro Vinagre, sinaliza a possibilidade de firmar convênio com a Unesp para trabalhar em conjunto no funcionamento do Centro de Memória. “Estamos para agendar a vinda da Ana Maria para uma reunião com o Tuga (Angerami, prefeito municipal). O que está confusa é a situação da própria rede. Ninguém sabe como vai ficar”, diz.
“Mas existe a disposição da prefeitura em trabalhar em conjunto. Podemos ajudar com estagiários e pessoal do Museu Ferroviário (Regional), que é ao lado, para atuar na manutenção do próprio acervo. Não contratando gente nova, mas aproveitando o pessoal, pela própria proximidade do museu. É quase o mesmo espaço”, frisa.
O historiador João Francisco, que é professor na Universidade do Sagrado Coração (USC) e voltou a se dedicar ao projeto de um livro sobre o rádio em Bauru, salienta a importância de que a entidade seja reaberta. “Tem gente que me liga e que está querendo consultar o arquivo. Aquilo custou muito para ser montado. Foi um trabalho com o qual muita gente colaborou e não pode ficar fechado”, diz.