Rural

Campanha da aftosa atinge 99,75%

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

A primeira etapa da campanha de vacinação contra a febre aftosa deste ano, realizada em maio, alcançou 99,75% de cobertura vacinal na região abrangida pelo Escritório de Defesa Agropecuária (EDA) de Bauru, que inclui 15 municípios. Do total de 510.500 bovinos e bubalinos espalhados por 3,4 mil propriedades rurais da região, 509.250 foram devidamente vacinados contra a doença.

As informações são do médico veterinário e diretor do EDA, Mauro Braga Mello. Segundo ele, a divulgação dos números regionais só está sendo feita agora porque é preciso aguardar a autorização do governo estadual. “A cobertura (vacinal) foi bastante satisfatória. Infelizmente, ainda existem alguns criadores que não estão protegendo seu gado contra a febre aftosa, mas esperamos chegar a 100% de cobertura em breve, o que já ocorre em alguns municípios da nossa área”, observa.

Desde 2002, a campanha passou a ser dividida em duas etapas: maio e novembro. A mudança de regra teve como objetivo tornar o processo mais prático para os pecuaristas, além de adequar o Estado de São Paulo ao calendário do circuito Centro-Oeste, que inclui ainda Mato Grosso, Minas Gerais e Goiás.

De acordo com Mello, as duas etapas são necessárias porque o efeito de proteção da vacina tem duração de seis meses. “A vacina deve ser aplicada em animais de todas as idades, mesmo nos recém-nascidos. Também é fundamental renovar a vacina a cada seis meses, participando das duas etapas da campanha”, orienta.

Na etapa de novembro do ano passado, o índice de cobertura vacinal registrado na área de abrangência do EDA foi de 99,03%. No Estado de São Paulo, que possui um rebanho total de bovinos e bubalinos em torno de 13,65 milhões, neste ano 99% dos animais foram vacinados contra a febre aftosa, de acordo com Mello.

Livre de aftosa

Segundo o diretor do EDA, desde maio de 2000 o Estado de São Paulo é reconhecido, pela Organização Internacional de Epizootias (OIE), como livre de aftosa com vacinação. Isso significa que o gado precisa continuar sendo vacinado, principalmente porque na região de Bauru há um movimento muito grande de animais que vêm de outros Estados, e qualquer bovino contaminado pode colocar em risco um rebanho inteiro.

“O título conquistado ainda não é de Estado livre de aftosa sem vacinação. Por isso, os animais devem continuar sendo vacinados contra a doença. A falta de conscientização pode comprometer o rebanho”, destaca o veterinário.

Após o término da campanha, que na primeira fase foi realizada de 1 a 30 de maio, os pecuaristas têm prazo de até sete dias para informar o EDA sobre a vacinação afetuada em seu rebanho, por meio de documentação específica. Quem não enviou a documentação ao Escritório de Defesa Agropecuária dentro do prazo, ainda pode fazê-lo. Contudo, já está sujeito a multa.

“Para quem vacinou o gado e não informou a nós, a multa é de R$ 39,90 por animal. Para quem não vacinou, multa de R$ 66,50 por cabeça. Nós estamos fazendo uma varredura na região e visitando as propriedades que não nos comunicaram sobre a vacinação. Queremos saber o que aconteceu. Se o procedimento não tiver sido realizado, faremos um auto de infração”, explica o diretor do EDA.

O veterinário alerta os pecuaristas sobre a importância de cumprir com o dever de vacinar corretamente o gado contra a febre aftosa. “Há o gasto com a compra das doses da vacina, mas ela é essencial. No Estado de São Paulo já não há mais focos de aftosa há muitos anos, com isso, tem aumentado consideravelmente as exportações de carnes, tanto de bovinos quanto de suínos e aves. Ou seja, está sendo muito bom especialmente para os criadores. Aqueles que não estão vacinando (seu rebanho) devem fazer isso, pois estarão ajudando a si mesmos e a todos os colegas pecuaristas”, alerta Mello.

• Serviço

A próxima etapa de vacinação contra a febre aftosa será realizada de 1 a 30 de novembro deste ano. Mais informações podem ser obtidas no Escritório de Defesa Agropecuária, telefone (14) 3227-2352.

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O que é

A febre aftosa é uma enfermidade altamente contagiosa que ataca a todos os animais de casco fendido, principalmente bovinos. Os animais podem ser infectados em qualquer idade, independentemente do sexo e do clima da região onde vivem.

A doença é produzida por, pelo menos, seis tipos de vírus. Não há transmissores de aftosa. O vírus é vinculado pelo ar, água e alimentos, apesar de ser sensível ao calor e à luz.

O vírus se isola em grandes concentrações no líquido das vesículas dos animais, que se formam na mucosa da língua e nos tecidos moles em torno das unhas. O sangue contém grandes quantidades de vírus durante as fases iniciais da doença, quando o animal é muito contagioso.

A gravidade da aftosa não decorre apenas das mortes que ocasiona, mas principalmente dos prejuízos econômicos aos pecuaristas. A perda de apetite causada pela doença resulta em perda de peso do gado, quebra da produção leiteira, crescimento retardado e menor eficiência reprodutiva.

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