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Presas quase triplicam em seis anos

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

O espantoso crescimento no número de presas na jurisdição da Delegacia Seccional de Bauru reforça a constatação, já feita no passado, de que as mulheres estão cada vez mais presentes no mundo do crime. De 1999 até junho deste ano, o número de presas sob a custódia da Seccional de Bauru saltou de 44 para 120 detentas, um crescimento vertiginoso de 172% em seis anos.

Há seis anos, Bauru encaminhava suas presas para uma única cadeia pública feminina, a de Cabrália Paulista. Nos últimos dois anos, as cadeias de Duartina e Pirajuí deixaram de atender ao público masculino para abrir espaço ao feminino.

Nas celas de Cabrália estão 56 presas. Em Duartina, são 23, e em Pirajuí, 41. O titular da Delegacia Seccional de Bauru, Antônio Angelo Ciocca, lembra que no início da década a cadeia de Cabrália atendia também os encaminhamentos de Lins e Jaú.

“Com a construção do Centro de Detenção Provisória de Bauru, tivemos uma solução para o abrigo dos presos, mas tivemos o agravamento em relação às presas do sexo feminino”, explica. Ciocca garante, porém, que o número de detentas nas cadeias de Cabrália Paulista, Duartina e Pirajuí está sob controle e, no momento, não há superlotação.

Na avaliação dele, não há como negar diante dos números que as mulheres enveredaram de maneira agressiva para a marginalidade. “Até alguns anos atrás, trabalhávamos com 40 a 50 presas em Cabrália. Agora estamos com 120. Houve sim um aumento na criminalidade feminina”, afirma.

O delegado informa que grande parte das mulheres detidas nas três cadeias femininas da região estava envolvida com o tráfico de drogas. “Geralmente são mulheres que tiveram seus maridos e filhos presos. Tentaram levar o ‘negócio’ adiante e também foram detidas”, conta.

Ciocca lembra que hoje há um combate rigoroso ao tráfico de drogas. “O tráfico está envolvido com as demais modalidades criminosas, como o roubo, o homicídio, enfim, é o crime organizado. Devido a isso, muito mais pessoas estão sendo presas. Conseqüentemente, mais mulheres também estão sendo detidas”, observa.

Ele conta ainda que as mulheres também estão presentes nos seqüestros. “Com certeza elas estão participando. Temos sentido nas prisões e investigações que as mulheres estão participando de todas as modalidades de crime. Lamentavelmente, a mulher buscou a igualdade com o homem. Infelizmente, isso também ocorreu no mundo do crime”, diz.

Ciocca comenta que o próximo passo agora é oferecer às presas um Centro de Detenção Provisória, os chamados CDPs, que hoje atendem exclusivamente o público masculino. “Esse será o caminho natural. É uma questão de tempo”, prevê.

Marília

Um estudo realizado entre os anos de 2000 a 2002 traçou o perfil das detentas da cadeia pública de Marília. Assinado por Rita de Cássia Salmasso, na época aluna da Faculdade de Filosofia e Ciências da Universidade Estadual Paulista (Unesp), o levantamento, publicado na Revista de Iniciação Científica, mostra a averigüação em 258 Boletins de Ocorrência (BOs).

Com relação às mulheres indiciadas, 37,69% foram enquadradas em lesão corporal dolosa, 17,31% em tráfico de drogas, 12,31% em ato infracional, 11,15% em furto simples, 8,35% em furto e uso de drogas. Os demais enquadramentos estão diversificados em roubo (2,69%), furto de veículo (1,15%) e homicídio (0,77%).

A relação com o tráfico de drogas sobe quando a mulher já está condenada. Oitenta e três por cento delas estavam envolvidas com o tráfico quando foram presas, 6,5% com roubo, 6,5% com estelionato, 2% com porte e uso de drogas e 2% em atentado violento ao pudor.

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