Tribuna do Leitor

Como sou importante!!!


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Foi numa tarde de terça-feira, pleno inverno em Bauru. E tudo aconteceu com a Maria da emoção. Emoção em que o amor falou mais alto no coração. E saber que em cena havia crianças como todas que conhecemos, numa aula de amor verdadeiro que a humanidade precisa conhecer. Ah! os adultos precisam voltar a ser crianças outra vez! Tudo começou quando um grupo de dança do “Moraes Pacheco” aceitou o convite para se apresentar na escola “Carlos Gomes Peixoto de Mello”. Embora muitos jovens, mas um tanto experientes, somaram a coragem de cada um e chegaram multiplicação da solidariedade, de amor puro, de amor dos participantes. Terça-feira à tarde! Como tantas outras terças tão iguais...

Dani, puxa! não sabia que eu era tão importante! (pensei); com a apresentação das crianças ficavam tão felizes! todas em nossa volta sorrindo, cantando... só emoção. Algumas até nos tocavam com as pontas dos dedos para comprovar que éramos de verdade! Ou então um belo sonho. É de verdade sim e aí o sorriso era ainda maior. As crianças eram carentes, algumas até com defeitos físicos, mas já nos pareciam as mais lindas do mundo. A felicidade era tanta que seus olhos brilhavam encobrindo possíveis tristezas do dia-a-dia. A aura do amor inocente daqueles baixinhos nos confundia: estamos dando ou recebendo? o sentir falava mais alto.

No trenzinho da Lambada, os baixinhos como que guiados pela fada madrinha, realizavam seus sonhos de alegria. Naquele instante agradeci a Deus por termos em nossa volta tantas pessoas que tiveram paciência conosco, naqueles primeiros ensaios na escola...

Mas logo vem sentar ao nosso lado um bando de crianças a nos abraçar, a mexer com nossos cabelos, ao corpo a corpo como que prolongando a magia daquele instante. E de repente em minha frente uma baixinha com voz doce e frágil me dizendo: - Você é tão linda; e como gratidão respondi: - Você também é muito linda; e para minha surpresa ela diz: - E o meu olho de vidro também é bonito? Ainda estou vivendo a mesma emoção, cada vez me recordo, aqueles baixinhos como a tantos que conhecemos. E eu que pensei que minha pessoa não era importante neste universo tão grande.

E foram exatamente destas carinhas que na despedida choravam pedindo que voltássemos logo para nos ensinar tamanha lição de sabedoria. Foi numa tarde de terça-feira em pleno inverno em Bauru que eu aprendi uma verdadeira lição de vida.

Síntese do relato da aluna Daniela Carolina Silva Oliveira, numa tarde de terça-feira - 1990 - Bauru

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