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Criando o filho como se fosse boneco

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Relatório divulgado pela organização não governamental Countdown 2015 intitulado “Direitos e Saúde Sexual e Reprodutiva” dá conta que no Brasil 18% das adolescentes entre 15 e 19 anos já têm, pelo menos, um filho e cerca de 60% dessas gestações não são planejadas ou desejadas.

Os dados da pesquisa serviram de subsídios para o psicólogo especialista em sexualidade humana Cláudio Picazio dedicasse um capítulo em seu livro “Viva Melhor com o adolescente”, lançado esse mês pela Editora Larousse do Brasil.

No capítulo dedicado à gravidez na adolescência, Picazio diz que as meninas ficam grávidas por falta de informação, por acreditarem serem vulneráveis à possibilidade de gravidez, por planejarem ter um filho para manter o namorado, por acharem que um filho pode ser como uma boneca viva, por terem feito sexo contra a vontade e sem o uso de qualquer contraceptivo.

Mérian Ester Henrique é uma jovem mãe que se encaixa no exemplo citado no livro de Picazio. Com apenas 15 anos ela já tem dois filhos. Embora ela tivesse conhecimento dos métodos contraceptivos, achou que nunca iria acontecer com ela.

Os bebês, Caique e Cauã, nasceram a pouco mais de um mês e mudaram a vida da adolescente. “Eu parei de estudar no 1.º colegial e tudo o que eu faço é cuidar deles,” confessa.

Feliz com o nascimento dos filhos, a jovem/mãe, que não trabalha, está vivendo na casa do pai, que tem mais três filhos para sustentar. A família vive em uma casa da Cecap em Lençóis Paulista.

A menina confessa que conhecia os métodos contraceptivos. “Sempre achei que não ia acontecer comigo, por isso não tomava anticoncepcional.”

O pai dos meninos, Valdelino Henrique, tem 24 anos, não estuda e não trabalha. O avô é mototaxista, mas sofreu um acidente e está de licença médica. “Eu levei um choque quando ela me comunicou que estava grávida, mas tive que aceitar”, comenta.

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