Polícia

Sistema interliga multas de trânsito

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

A partir desse mês, o Estado de São Paulo passa a integrar o sistema de Registro Nacional de Infrações de Trânsito (Renainf). Com isso, os motoristas de outras unidades da Federação que costumavam cometer excessos no trânsito contando com a impunidade tendem a ficar preocupados e atentos.

É o que apostam os departamentos de trânsito, que estão investindo na interligação do sistema para conter abusos interestaduais. “Até outubro, todos os terminais deverão estar online no País, agilizando, assim, o nosso trabalho”, informa o diretor da 5.ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) de Bauru, Antonio Carlos Piccino Filho.

De acordo com ele, o Renainf é comparável ao Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavam), que reúne dados dos veículos de todo o País. “Gradativamente, tudo vai sendo informatizado”, destaca o diretor.

O sistema vai permitir que as normas do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) sejam cumpridas por todos os motoristas, independentemente do Estado de emplacamento do veículo e de onde ele estiver circulando.

Nove Estados já aderiram ao Renainf: Bahia, Ceará, Mato Grosso do Sul, Paraná, Minas Gerais, Goiás, Paraíba, Pernambuco e Pará. São Paulo é o décimo. Em todos esses locais, qualquer que seja o emplacamento do veículo, o motorista é punido com multa e pontos na carteira caso cometa uma infração.

Antes do sistema, grande parte das infrações cometidas fora da unidade de Federação da placa não recebia a punição. “Umas chegavam ao destinatário, outras não. Não havia uma rotina nesse processo”, destaca Piccino Filho.

De acordo com um levantamento da Companhia de Engenharia de Tráfego, órgão ligado ao controle do trânsito da Capital, 20% das multas aplicadas na cidade de São Paulo não chegam até os motoristas por o emplacamento ser de outro Estado.

Fim da impunidade

O arquiteto Humberto Fazzan tem como hobby pilotar sua moto pelas estradas do País. Pelo menos uma vez por ano, ele viaja para outro Estado a passeio. Numa dessas aventuras, foi multado no Paraná, mas nunca recebeu a cobrança. “Já faz mais de dois anos que isso aconteceu. O guarda me parou por excesso de velocidade, me multou, mas eu nunca recebi essa notificação”, salienta.

Ele acredita que o Renainf vai mudar o comportamento dos motoristas Brasil afora. “As pessoas vão ficar mais preocupadas com as leis de trânsito quando estiverem fora do seu Estado, o que não acontece hoje em dia”, frisa.

Ele mesmo diz que vai ficar mais atento em sua próxima viagem, prevista para outubro, com destino ao Rio Grande do Sul.

Na opinião do arquiteto, que também foi autuado em São Paulo, ao mesmo tempo que as multas são uma “máquina de fazer dinheiro”, a implantação do sistema servirá para acabar com a impunidade. “Quem cometer uma infração, terá de pagar por ela”, frisa.

O tecnólogo mecânico João Luiz de Oliveira Borges, que também viaja bastante pelo País com seu veículo, acredita na força da multa para mudar o comportamento do motorista. “Quando sabe do perigo da multa, a tendência é ficar mais atento, mais esperto com relação aos excessos”, destaca.

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