Politicando

O Padre e o pau d’água


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Cidadezinha interiorana, poucos moradores, a maioria trabalhadores rurais; não tinha polícia, médico, nada, exceção de um padre, figura humana de qualidades infinitas. Ele alfabetizava, educava, evangelizava. As pessoas o obedeciam cegamente, razão pela qual não havia distúrbio no local.

Ao longo do tempo apareceu no lugar um tal de Zé Barbicha, sem eira nem beira, ou melhor, sem passado nem futuro. Servidor e muito educado, logo arrumou um lugarzinho pra ficar, davam-lhe comida e roupas em troca de pequenos afazeres, que ele atendia prontamente.

Só que Zé Barbicha bebia de vez em quando no começo e com contumácia depois, e além disso era um pé-de-cana chato e perturbador.

Várias reclamações foram levadas ao padre, que começou a pensar numa maneira de corrigir o Zé Barbicha polidamente sem ter que dar-lhe um esculacho público, afinal, ele tinha grandes qualidades. Domingo seguinte na hora da missa com a igreja cheia entra o Zé Barbicha já meio “mangado” e pára no corredor em frente ao padre e este vendo a grande oportunidade de chamar a atenção do bêbado, mandou que todos se levantassem e passou um sermão daqueles em tudo o que se referia a cachaça e os cachaceiros.

Sermão pesado, duro de ouvir. Acabado o padre pediu para todos os fiéis que não se sentiram atingidos sentarem-se. Todos o fizeram menos o Zé Barbicha, que na verdade não tinha banco à disposição. Ele virou viu todo mundo sentado, silêncio total, virou-se novamente para o padre e disse:

- É, só nois dois heim padre...

Contada por Vitor Rodrigues Ruiz

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