Tribuna do Leitor

Ai, que saudades


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Nasci em 1965. Mais ou menos em 1979, um primo emprestou-me alguns livros para ler, do tipo “Brasil nunca mais”, e/ou os livretes da coleção Primeiros Passos “O que é comunisno”, “O que é socialismo”, etc. Hoje sinto saudades. Não dos livros, pois ainda existem. Sinto saudades de um sindicalista barbudo, que gesticulava, discursava e gritava palavras de ordem em cima de um palanque, contra um selvagem capitalismo; contra as injustiças sociais; por uma nacionalização das multinacionais em território brasileiro; contras os baixos salários pagos pelas montadoras a seus empregados; contra os militares e suas ações autoritárias e violentas, contra o não pagamento da dívida externa e principalmente pela honestidade e transparência na política. Onde está o homem que perdeu as eleições para o caçador de marajás-alagoanos? Onde está o homem que sempre lutou contra a corrupção na política? Cadê o partido que dizia representar os trabalhadores e todo um povo oprimido, desnutrido e desvalido deste país?

Já sei.

Eles, os da Estrela Vermelha, devem estar tomando quentão, comendo amendoim (ou caviar?) e contando anedotas sobre um povo ingênuo, incrédulo e frouxo, lá no “Arraiá do Torto”, e esperando a hora para poderem entrar no “Jatão de U$ 70 milhões” e irem passear, longe deste mar fétido de lama, podridão e m.... que emerge na política brasileira.

Meu primo falou para ler aqueles livros, mesmo sabendo que eu pouco ou nada poderia fazer para modificar o mundo, mas disse-me que eu não seria um alienado. Primo, que saudade de quando eu nada sabia e nada entendia!

João Vicente de Melo - RG: 792126

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