Apesar de divergentes, dados das polícias Civil e Militar mostram que o número de homicídios em Bauru teve uma queda significativa no primeiro semestre deste ano. Segundo a PM, essa diminuição foi de 40%. Já para a Polícia Civil, foram 35% menos assassinatos em 2005 na cidade.
Essa diferença ocorre porque as duas instituições têm maneiras distintas de contabilizar os crimes. Mas, de maneira geral, os números procedentes das duas polícias apontam para um cenário positivo no município.
O comandante do 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (BPMI), major Pedro Batista Lamoso, explica que a queda no quadro de homicídios ocorrida neste ano se deu em função de uma série de fatores. Entre eles, a campanha do desarmamento. “Acredito que houve um conjunto de ações que culmiram nessa diminuição de ocorrências”, salienta.
Ele cita, por exemplo, o fechamento dos bares depois das 23h, que reduziu a possibilidade de crimes provocados por impulso num momento de embriaguez. “Muitas mortes acontecem nesse tipo de situação”, destaca.
O recolhimento das armas de fogo pela campanha institucional do governo também foi outro impulsionador desse índice. “O furto das armas de pessoas de bem municia a criminalidade.”
Segundo o levantamento da PM, foram 30 assassinatos no período de 1 de janeiro a 5 de julho de 2004, contra 18 no mesmo período deste ano.
Já os dados da Polícia Civil apontam 23 homicídios entre 1 de janeiro e 30 de junho de 2004 e 15 no mesmo período de 2005.
Para o delegado seccional Antônio Ângelo Ciocca, esse índice positivo foi favorecido devido ao aumento no número de prisão de traficantes de droga. “Foram 88 neste ano contra 66 em 2004, uma elevação de 33% no número de detenções”, salienta.
O delegado diz que o tráfico de drogas tem relação com todos os tipos de criminalidade e que, quando há um controle maior nesse sentido, a tendência é de diminuição dos delitos.
A campanha do desarmamento também é citada por ele como um fator de influência na prevenção ao crime, bem como o esclarecimento dos homicídios, que giram em torno de 60% a 80% dos casos. “É um conjunto de ações que está influenciando esse comportamento da sociedade”, frisa.
O delegado diz que a cidade de Bauru tem a vantagem de não ser alvo do crime organizado. “Não temos notícia desse tipo de ação por aqui.”
Segundo o major Lamoso, os registros mostram que as ocorrências se concentram nos bairros periféricos e próximo a bolsões de pobreza. Dos 18 assassinatos ocorridos em Bauru neste ano, cinco foram na região sudeste e quatro, na noroeste.
Onze vítimas tinham passagem pela polícia ou respondiam a processos criminais. Seis ocorrências aconteceram aos domingos, dia da semana com maior incidência desse tipo de delito.
Um detalhe que chama a atenção no quadro apresentado pela PM é que o maior número de vítima é de pessoas com mais de 30 anos, o que contraria as estatísticas observadas em outras partes do País, nas quais jovens entre 18 e 25 anos são os mais atingidos.