Cultura

Artigo: Reunião aprovada

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

Inicialmente, a proposta era interessante: um grupo carioca marcado pela criatividade de ritmos e canções reunido a um dos maiores ícones da MPB. O disco, lançado em 2004, resultou em uma mistura musical da melhor qualidade. Agora, com a apresentação do show “Vagabundo” em Bauru, anteontem no ginásio do Serviço Social do Comércio (Sesc), o público local pode comprovar que a reunião de Ney Matogrosso e Pedro Luís e a Parede fica ainda melhor em cima do palco.

Outra comprovação: Ney continua o mesmo, dominando quase que completamente a atenção do público - até mesmo quando se recolhe ao fundo do palco e deixa Pedro Luís cantar sozinho “Caio no Suíngue”, da carreira da banda.

Logo com a abertura das cortinas do palco, já era possível prever o que viria. Os integrantes da Parede musical (os três percussionistas Sidon Silva, C.A. Ferrari e Celso Alvim, o baixista Mário Moura e Pedro Luís, responsável por violão e guitarra) se reúnem a Ricardo Silveira (guitarra), Pedro Jóia (violão e alaúde árabe) e Glauco Cerejo (sopros), mas quem se destaca é Ney. Vestido em tons de azul, uma espécie de beduíno do terceiro milênio, ele dança o tempo todo, por todo o palco, circundando os músicos e recebendo deles, em diversos momentos, sua reverência.

O show é aberto com “Notícias do Brasil”, de Milton Nascimento (que não está no CD) e segue desfilando todas as novas canções de “Vagabundo”: “A Ordem é Samba”, “Transpiração”, “Inspiração”, “Jesus” e a canção que dá nome ao disco e ao show, entre outras. Seguindo o disco, eles também apresentam músicas das carreiras dos artistas, como “Seres Tupy”, do PLAP, e “Assim Assado”, do início da carreira de Ney no Secos & Molhados.

Em meio às novas composições, são mesmo as conhecidas do público que fazem o show crescer. “Disritmia”, de Martinho da Vila, e “Balada do Louco”, de Arnaldo Baptista e Rita Lee, são acompanhadas pelo ginásio lotado, emocionando a todos. Os aplausos explodem também em “Caio no Suíngue” e especialmente quando Ney canta uma versão mais curta de “Sangue Latino”.

No final, os músicos ainda mandaram “O Mundo”, do extinto Karnak, e finalizam com outra canção de Milton, “Fé Cega, Faca Amolada”, em uma versão para fazer todo mundo pular.

Em um show de duração regular, com cerca de uma hora e meia, não há quem não sinta falta de mais sucessos tanto da carreira do PLAP, como “Rap do Real”, “Menina Bonita” e “Pena de Vida”, quanto de Ney – não há espaço para listar a infindável seqüência de sucessos interpretados pelo cantor, ou mesmo “Miséria no Brasil”, de Pedro Luís e que Ney gravou há alguns anos. Porém, com a ótima receptividade do público bauruense, é certo que ambos não hesitarão em retornar.

Aos que não conseguiram ingressos – em mais um show esgotado do Sesc, comprovando a qualidade da programação da unidade de Bauru-, fica a expectativa do lançamento do DVD do show “Vagabundo”, que será gravado ao vivo em São Paulo nesse mês e lançado até o final do ano.

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