Pesca & Lazer

Pesca esportiva evolui para o profissionalismo

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 2 min

A pesca esportiva vem ganhando cada vez mais adeptos e a tendência é que ela se transforme em uma atividade profissional. A opinião é de um dos maiores especialistas no assunto, Rubinho Almeida Prado, que esteve na região para participar de um evento promovido pelo laboratório Sanofi Aventis.

Rubinho afirma que a evolução nos últimos anos é nítida. “Até há pouco tempo, não havia profissionais qualificados. Hoje, você tem guias e agências especializadas em pesca esportiva. No começo, lembro que as revistas de pesca tinham que convidar amigos para escrever as matérias e isso não é mais necessário atualmente”, relata.

O pescador avalia que esse crescimento traz muitas vantagens. “O turismo é a atividade econômica que mais socializa os lucros. Ele arrecada recursos e faz a divisão entre toda a comunidade. No caso da pesca, não é diferente”, diz.

Ele acredita, no entanto, que o Brasil ainda está distante de outros países. “Os Estados Unidos têm cerca de 500 a 600 espécies de água doce, possuem 1,5 milhão de pescadores e movimentam US$ 40 bilhões por ano. Nós temos 3 mil espécies registradas e a expectativa é de chegar a 6 mil espécies, contamos com 3 milhões de pescadores, mas movimentamos apenas US$ 1 bilhão”, compara.

Para mudar esse quadro, Rubinho avalia que a participação estatal é fundamental. “O investimento em rede hoteleira e treinamento de mão-de-obra especializada até pode ser feito pela iniciativa privada, mas a proteção do meio ambiente é uma responsabilidade do governo”, destaca.

Ele lembra, por exemplo, que muitas espécies exóticas da Amazônia têm sido introduzidas nos rios de São Paulo. “Tenho muito medo de brincar de Deus. Há algumas espécies que deram certo, mas o risco é muito alto. É preciso pensar não apenas no momento, mas no que pode ocorrer daqui a 100 ou 200 anos”, ressalta.

Pioneiro na pesca esportiva no País, Rubinho também recorda que diversas represas foram construídas na região ao longo das últimas décadas. Para ele, esses são os únicos locais onde a presença de espécies exóticas pode ser testada. “Antes disso, porém, é necessário pensar bem em qual tipo de peixe será introduzido. Se esse processo for bem elaborado, pode resultar na geração de empregos e receitas”, aponta.

Outro ponto destacado por ele em relação à pesca é a presença marcante das mulheres. “Elas descobriram que a atividade representa um ótimo momento de lazer. Aquele ambiente masculino, ligado à bebida e jogo, mudou bastante”, observa.

Rubinho também acredita que a cultura do pesque e solte é melhor compreendida atualmente do que no passado. “Quando eu comecei a difundir a pesca esportiva, cheguei a receber ameaças de pescadores”, relata.

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