Para uma noite fria, um show com novos e antigos sucessos, sonoridade delicada e familiar, quase caseira mas ainda sofisticada, de uma banda que completou 20 anos com uma das carreiras mais prolíficas e consistentes do rock nacional. A partir das 23h, a Cervejaria dos Monges recebe o show “Acústico MTV” dos Engenheiros do Hawaii.
O projeto, com CD e DVD gravados ao vivo em São Paulo, foi lançado no final do ano passado e reúne o repertório de toda a carreira da banda, em releituras acústicas, como “Até o Fim”, “Infinita Highway”, “Somos Quem Podemos Ser”, “Refrão de Bolero” e “O Papa É Pop”, e músicas inéditas, como “Pose” e “Armas Químicas e Poemas”. No show, o público ainda deve conferir versões para “Pra Ser Sincero”, “A Promessa” e “Eu Que Não Amo Você”.
Com Humberto Gessinger (voz, violão, harmônica, bandolim e piano), a formação atual do Engenheiros tem Paulinho Galvão (violão), Fernando Aranha (violão, dobro), Bernanardo Fonseca (baixo), Gláucio Ayala (bateria e vocais) e Humberto Barros (teclado e piano). Leia a seguir os principais trechos da entrevista que Gessinger concedeu por telefone ao JC Cultura.
JC - O que o público pode esperar da turnê atual, do “Acústico MTV”?
Humberto Gessinger – Acho que a última vez que a gente esteve em Bauru foi com a turnê “Surfando Karmas & DNA”, há uns dois anos. A gente está levando um show idêntico ao DVD do “Acústico”, com o mesmo cenário, as mesmas músicas que estão no DVD e, além dessas, estamos tocando algumas outras como “A Montanha”, “Pra Ser Sincero”, “A Promessa”.
JC – Qual é a diferença em viajar com uma turnê derivada de um disco como o “Acústico” e de um disco de músicas inéditas?
Gessinger – O “Acústico” foi o disco que eu mais gostei de gravar. Antes de fazer, eu estava um pouco receoso e não acreditava que fosse tão bom gravá-lo. Acho até que vai influenciar os próximos discos do Engenheiros, mesmo que não sejam nesse formado acústico. Por voltar a tocar violão e harmônica, eu me senti muito à vontade. Um disco ao vivo é uma oportunidade legal de fotografar uma turnê. O “Acústico” permite um pouco mais do que isso. O processo de traduzir as músicas para o formato acústico dá a oportunidade de voltar à infância dessas canções. Você pode se focar na recomposição das canções. Acho que essa delicadeza do formato te faz ouvir coisas que não havia ouvido originalmente.
JC – Das bandas brasileiras, especialmente as que surgiram nos anos 80, vocês foram os penúltimos a aderirem a um projeto acústico, já que o Ultraje a Rigor está gravando esse projeto também. Você tinha algum preconceito contra esse formato?
Gessinger – Eu sentia um pouco de medo, na verdade. O convite já tinha rolado algumas vezes, mas eu achava, até o ano passado, que o “Filmes de Guerra, Canções de Amor”, que a gente lançou em 1993, cumpria essa coisa do “Acústico”, e também sentia necessidade de ter gravado os dois últimos discos do Engenheiros (“Surfando Karmas & DNA” e “Dançando no Campo Minado”), que são dois discos bem densos em termos de composição, só com músicas inéditas. Só depois desses discos, eu fui pensar que poderia acrescentar alguma coisa para gravar o “Acústico”. Acho que chegou na hora certa. Mesmo depois que saiu o disco, eu continuei trabalhando em casa nesse sentido de traduzir as canções para esse formato. Hoje é um lance em que eu acabo me entretendo mais do que compondo músicas novas. É legal ter a oportunidade de relê-las.
JC – Há alguma música que não foi incluída no “Acústico” e que você incluiria agora, depois desse processo de revisitá-las?
Gessinger – Ah, tem várias. Tem duas músicas que eu nunca consegui me conectar muito com elas, que são do primeiro disco, “Segurança” e “Sopa de Letrinhas”, me parece que eram músicas que eu tinha feito em outra vida. Eu acabei juntando as duas e elas começaram a fazer um pouco de sentido para mim. Mas acho que o disco ficou na medida certa, com músicas bem conhecidas e outras menos conhecidas. Tentamos não privilegiar nenhum desses lados.
JC – Você comentou que não está compondo muito. Há algum projeto de disco novo para este ano ou para o próximo?
Gessinger – O formato do “Acústico” acabou capturando minha mente e meu coração. Me cativou muito poder voltar a tocar violão, então eu não tenho novo material e nem muita vontade de gravar agora um disco de (músicas) novas. Com o tempo, com alguns anos, comigo pelo menos, essa divisão do que é novo, o que é velho, o que é acústico ou elétrico, o que é ao vivo, o que é de estúdio, vai ser completamente irrelevante. Eu acho que se gravasse um disco hoje, seria uma coisa bem caótica, com canções elétricas, acústicas, músicas novas e antigas.
• Serviço
Engenheiros do Hawaii com o show “Acústico MTV”, hoje a partir das 23h, na Cervejaria dos Monges (avenida Getúlio Vargas, 7-50). Ingressos antecipados a R$ 25,00. Mais informações pelo telefone (14) 3234-7773.
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Discografia da banda
• “Longe Demais das Capitais” (1986)
• “A Revolta dos Dândis” (1987)
• “Ouça o que eu digo: Não ouça ninguém” (1988)
• “Alívio Imediato” (1989)
• “O Papa é Pop” (1990)
• “Várias Variáveis” (1991)
• “Gessinger, Licks & Maltz” (1992)
• “Filmes de Guerra, Canções de Amor” (1993)
• “Simples de Coração” (1995)
• “Humberto Gessinger Trio” (1996)
• “Minuano” (1997)
• “!Tchau Radar!” (1999)
• “10.000 Destinos” (2000)
• “10.001 Destinos” (2001)
• “Surfando Karmas & DNA” (2002)
• “Dançando no Campo Minado” (2003)
• “Acústico MTV” (2004)
Fonte: www.engenheirosdohawaii.com.br