A cirurgiã-dentista Rosângela Garla Cerigatto estranhou o telefonema de seu irmão ontem, logo pela manhã, perguntando se estava tudo bem. Ela estava se arrumando para ir para o trabalho e ainda não havia ligado a TV ou o rádio. Por isso, não sabia dos atentados terroristas ocorridos em Londres, algumas horas antes. A filha dela, Marina Cerigatto, mudou-se para a capital inglesa há pouco mais de um mês. “Ela está morando bem próximo de onde uma das bombas explodiram”, disse, ainda abalada pela notícia.
A dentista estava muito apreensiva com a situação, principalmente porque ainda não havia conversado com a filha. “Ela já ligou para o namorado aqui no Brasil e falou que está bem, mas eu só vou ficar mais tranqüila depois que ouvir a voz dela”, ressaltou.
Como havia passado o dia todo trabalhando, Rosângela disse que estava sentindo o reflexo do nervoso apenas naquele momento (ontem à noite), enquanto conversava com a reportagem do JC. “Agora é que está me dando uma moleza. A gente fica muito nervosa com tudo isso”, ressaltou.
Dezenas de bauruenses vivem em Londres, o que deixou muitas famílias da cidade preocupadas com a extensão dos três atentados ocorridos no metrô e em um ônibus, na chamada zona um da capital inglesa.
A professora Solange Braga Franzolin, mãe da jornalista Luciana Braga Franzolin, que mora há quase dois anos em Londres, disse que só ficou sabendo sobre o ocorrido ao conversar com a filha. “Meu marido é que tinha ouvido a notícia pelo rádio e já estava para ligar para lá quando ela telefonou e nos tranqüilizou. Foi aí que fiquei sabendo sobre os atentados”, disse.
Segundo ela, por causa disso, o susto foi menor. “Mas, mesmo assim, a gente fica preocupada, pois está longe da filha e não quer que nada de mal a atinja”, frisou.
Sem telefones
O advogado André Renato Soares da Silva disse que um dos seus melhores amigos, Bruno Dalanezi Mori, mora em Londres e a família dele teve dificuldades em localizá-lo ontem pela manhã. “Eles ligavam no celular, mas não conseguiam falar, pois as linhas estavam interrompidas. Foi depois de muitas tentativas, que descobriram que ele estava bem”, salienta.
A bauruense Marina Cerigatto, que está há pouco mais de um mês em Londres, também demorou a ser localizada por parentes e amigos.
A mãe dela, Rosângela, diz que temia pela segurança da filha por ela estar morando num local muito próximo do foco de explosões.
A única coisa que amenizava um pouco a angústia era saber que os bauruenses que estão morando lá têm muito contato uns com os outros. “Eu pensava que, se algo ruim tivesse acontecido com ela, eu já estaria sabendo, pois as meninas lá se comunicam bastante”, destacou.
Ela contou que, de uma semana para cá, estava pensando muito na filha. “No último final de semana, eu fiquei imaginando como a gente fica impotente quando está distante da filha. Não dá para fazer nada, só mesmo pedir proteção para ela. Não deu nem uma semana e acontece uma coisa dessa.”
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Cidade fantasma
A jornalista Luciana Franzolin, que mora em Londres há um ano e nove meses, contou por telefone à reportagem do JC como ficou a cidade após as explosões:
“Está um clima de terror aqui, apesar de ter sido muito calmo. Eu só fui perceber o que tinha acontecido umas duas horas depois porque onde eu trabalho não tem televisão. Tem Internet, mas eu não estava conectada na hora.
As pessoas estão meio assustadas, não sabem se pegam o metrô amanhã, ou não pegam. Está uma dúvida no ar.
Hoje foi uma loucura no telefone: todo o mundo ligando para todo mundo aqui para ver se estava tudo bem. O celular não pegava, você tentava ligar para as pessoas e ninguém atendia. Londres parou. A loja onde eu estou trabalhando não tinha movimento. Foi a coisa mais estranha do mundo, parecia uma cidade fantasma. As pessoas tiveram de voltar a pé para casa porque não tinha metrô nem ônibus. Eu consegui uma carona e já estou em casa, acompanhando tudo pela TV”, relata.