Polícia

Mulher é achada morta após 2 meses

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 2 min

Uma mulher de 31 anos foi encontrada morta, ontem à tarde, dentro de casa, no Parque Roosevelt, pelo seu filho de 15 anos. O corpo, já em adiantado estado de decomposição, devia estar no local há pelo menos 60 dias, segundo estimativa da Polícia Civil. Familiares e vizinhos estavam chocados com o caso.

De acordo com o delegado do 2.º Distrito Policial (DP) de Bauru, Doniseti José Pinezi, tudo leva a crer tratar-se de morte natural. “A família disse que ela estava com depressão e tinha se isolado de todo o mundo”, salienta.

Identificada como Francisca Laureana Mariano, a mulher morava sozinha havia dois anos. De acordo com a irmã dela, Isabel Cristina Mariano, ela tinha se tornado fanática pela religião e se isolado do mundo. “Ela vivia para a igreja e só falava nisso o tempo todo. Acabou se afastando da gente e até do filho dela, que foi morar com a minha irmã mais nova”, conta.

Segundo ela, o desaparecimento de Francisca não tinha causado tanta preocupação na família pois ela sempre viajava com o pessoal da igreja que freqüentava. “Ela passava até um mês fora de casa pregando por aí”, lembra Isabel.

Os vizinhos dizem o mesmo. A dona de casa Valdete Capi Lisboa destaca que não via Francisca há uns dois meses. “Pensei que ela estava viajando. Ela sempre ficava muito tempo fora e a casa permanecia fechada”, diz.

Na casa, tudo estava aparentemente em ordem. O corpo dela, já em adiantado estado de decomposição, estava caído de bruços próximo à porta dos fundos da residência. O que chamou a atenção foi o fato de não haver um forte mal-cheiro na casa. “Nós não sentimos nada diferente no ar”, destaca a moradora do bairro Eliana Lisboa.

Francisca estava desempregada há cerca de um ano e meio, quando, segundo sua irmã, foi demitida do trabalho pelo seu fanatismo religioso. “Ela ficou seis dias sem ir trabalhar porque estava em vigília na igreja. Quando voltou, foi demitida”, salienta.

Isabel conta que o pai delas é quem a ajudava com as contas da casa e na alimentação. “De vez em quando ele vinha aqui e trazia algumas coisas para ela comer”, lembra.

Ontem, o filho dela foi até a residência para saber notícias. Ao abrir a porta dos fundos, deparou-se com o corpo e correu para a casa da vizinha. “Ele chegou chorando e dizendo que a mãe estava morta”, destaca.

Isabel acredita que o fanatismo religioso de Francisca tenha origem em uma depressão que a abateu há dois anos, quando a mãe delas se afastou da família. “Meu irmão mais novo, de 28 anos, morreu de infarto depois disso. Agora aconteceu com ela”, diz.

A polícia abriu inquérito para averiguar o caso.

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