Os empresários do setor gráfico precisam da redução da carga tributária para poder investir mais nos negócios, crescer e gerar novos empregos. Em síntese, esta é a principal reivindicação do segmento dentro do atual cenário econômico do País. O crescimento do setor previsto para este ano é tímido, em torno de 3% na comparação com 2004, segundo avaliação do diretor da seccional Bauru da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf), Luiz Edmundo Coube.
Ele e vários outros empresários do ramo gráfico de Bauru e região participaram, nesta semana, de um evento que contou com a presença da diretora executiva da Abigraf, Sonia Regina Carboni, realizado na sede do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) de Bauru.
“Está faltando vigor econômico para podermos crescer mais. Sofremos com uma incidência brutal de impostos que nos impedem de fazer uma série de investimentos. Recentemente, o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) teve uma redução, mas ainda é muito pouco. Temos PIS, Cofins e uma série de outros impostos em cascata que pesam demais no orçamento das empresas”, avalia Coube.
Segundo ele, a incidência de tributação na importação de equipamentos é “muito agressiva” e prejudica os empresários do setor na medida em que investem constantemente na aquisição de equipamentos importados.
Mesmo assim, a previsão do empresário é de crescimento neste ano, acompanhando a variação do Produto Interno Bruto (PIB). “O setor gráfico é extremamente sensível à economia. Na medida em que os índices de crescimento sobem, o setor reage imediatamente.”
A diretora executiva da Abigraf prefere não falar em números ou índices, mas observa que a principal diferença de 2005 para 2004 são as eleições municipais e estaduais ocorridas no ano passado.
“Em ano eleitoral o setor gráfico sempre tem uma melhora, porque é grande a quantidade de material promocional impresso, como santinhos (de candidatos), feito pelas empresas. Para este ano, a previsão aponta para um equilíbrio nos níveis de produção (em relação a 2004). Eu não acredito que haverá queda brusca da produção, não. Aliás, a expectativa é de ficar um pouco acima dos resultados do ano passado”, diz Carboni.
Interiorização
A Abigraf está desenvolvendo um processo de interiorização da entidade por meio da inauguração de seccionais em várias cidades do Estado de São Paulo. Em Bauru, a sede dirigida por Coube está em atividades desde abril último. Até o final deste ano, outras unidades devem ser abertas.
“O objetivo de abrir essas seccionais é trazer o empresário gráfico para mais perto da entidade e tornar a categoria mais unida para que possamos levar treinamentos técnicos e gerenciais, oferecer benefícios e conhecimento. Quem detém informação, detém também uma parte do mercado. Na minha palestra, por exemplo, vou falar sobre o cartão do BNDES e sobre algumas novidades da feira Escolar Papel Brasil, que será em agosto”, destaca.
Sobre a possível instalação da Escola Técnica do Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza em Bauru, Sonia Carboni diz que a Abigraf é totalmente favorável.
“A Abigraf sempre incentiva qualquer coisa que vá trazer benefícios para os gráficos. Este assunto ainda não foi discutido com os diretores (da entidade), mas posso dizer em nome da Abigraf que sempre apoiamos projetos desse tipo, pois a qualificação da mão-de-obra é essencial para a indústria, em todos os setores.”
O empresário do setor gráfico José Palmeira Júnior, de Bauru, destaca a importância das reformas tributária e trabalhista para todo o empresariado brasileiro.
“O empresariado como um todo tem sofrido muito com a incidência de uma carga tributária tremenda, porque estamos sujeitos à bitributação. Nos Estados Unidos, por exemplo, você faz o seu produto e, na hora da venda, é cobrado 6% de imposto. No Brasil tem imposto desde a compra de matéria-prima até o final da cadeia. Dessa forma, é difícil termos preços competitivos”, observa.
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A entidade
A Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf) desenvolve uma série de ações em prol do crescimento do setor. Muitas delas são realizadas em parceria com empresas e entidades do setor que enxergam a oportunidade de projetar seus negócios ao alinhar-se aos objetivos da maior entidade representativa do segmento.
Atualmente, o setor representa 1% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e 3,3% do PIB industrial. A regional da Abigraf de São Paulo representa mais de 5.500 empresas, que empregam mais de 90 mil pessoas. Fundada em 1968, a Abigraf-SP tem forte atuação no desenvolvimento da categoria.
Entre os principais pontos da atuação da entidade estão o empenho para a obtenção de linhas de financiamento e a intensificação da sua presença no Interior paulista. A recente inauguração da seccional de Bauru faz parte desse projeto. A cidade possui cerca de 100 empresas do setor gráfico, sendo um pólo regional.
Da Redação