“O Bandido da Luz Vermelha” inaugura hoje o projeto Cinema Marginal - Rogério Sganzerla, promovido pelo Serviço Social do Comércio (Sesc) em Bauru. O filme será exibido no auditório da unidade às 15h.
Nos próximos sábados do mês de julho - 16, 23 e 30 -, serão exibidos outros longas do diretor, conhecido como criador da anarquia cinematográfica. Sganzerla inaugurou através de seus filmes uma narrativa ousada e experimental do cinema brasileiro, chamada de cinema marginal. O ciclo começa com o filme “O Bandido da Luz Vermelha” (1968), cujo roteiro é baseado na história de Acácio Pereira da Costa, bandido que no ano de 1967 atormentou a polícia paulista e foi apelidado por sempre portar uma lanterna vermelha.
No filme, Jorge, um enigmático assaltante de residências luxuosas em São Paulo, realiza fugas ousadas e gasta o dinheiro com extravagâncias. Na cidade de Santos, se apaixona por Janete Jane, conhece outros assaltantes, um político corrupto e acaba sendo traído. Perseguido e encurralado, encontra somente uma saída para sua carreira de crimes.
O filme ganhou prêmios como o 3.º Festival de Brasília (1968), o Prêmio Governador de São Paulo, Prêmio INC e Roquete Pinto (1999) e Brasil On Screen (2001). Nos próximos sábados, às 15h, o ciclo Cinema Marginal - Rogério Sganzerla continua com “O Abismo” (1978), no dia 16; “Nem Tudo É Verdade” (1986), no dia 23; e “Tudo é Brasil” (1997), no dia 30.
• Serviço
Projeto Cinema Marginal - Rogério Sganzerla, todos os sábados de julho, às 15h, no auditório do Sesc. Hoje, “O Bandido da Luz Vermelha”. Recomendável para maiores de 15 anos. Ingressos gratuitos devem ser retirados uma hora antes. O Sesc fica na avenida Aureliano Cardia, 6-71. Informações pelo telefone (14) 3235-1750.
____________________
O diretor
Natural de Joaçaba (SC), Sganzerla nasceu em 1946. Como diretor, assina mais de 20 filmes que datam de 1966 a 2003. Estreou na direção de longas com “O Bandido da Luz Vermelha”, em 1968, depois de uma carreira de quatro anos como crítico de cinema no jornal “O Estado de S. Paulo”. Trabalhou como ator em “Audácia - A Fúria dos Desejos” (1970) e “O Abismo” (1978).
Além de cinema, Sganzerla enveredou também pelo teatro. Dirigiu as peças “Savannah Bay”, de Marguerite Duras, que tinha sua filha Djin Sganzerla e a mulher Helena Ignez no elenco; “O belo indiferente”, de Jean Cocteau e “A maja desnuda”, sobre a vida e a obra de Goya.
Mesmo fragilizado por complicações de saúde devido a um câncer no cérebro, continuou produzindo seus filmes. O último foi “Signo do Caos”. O diretor apresentou a sessão especial no Odeon BR em uma cadeira de rodas e foi aplaudido de pé pela platéia.
Hospitalizado para se recuperar de uma cirurgia no cérebro, Sganzerla não compareceu à apresentação de “O Signo do Caos” no 36.º Festival de Cinema de Brasília.
Ele faleceu no dia 9 de janeiro de 2004, em São Paulo. Sganzerla morreu com um sonho: refilmar seu clássico “O Bandido da Luz Vermelha” com Alexandre Borges no elenco.