O então jovem Carlos Ladeira, candidato a vereador pelo PMDB nas eleições municipais de 1982, foi convidado para uma festa no apartamento de uma aluna, onde seria apresentado aos amigos desta, que estariam sem candidatos a vereador.
Chegou ao local, um predinho de quitinetes perto do Estádio do Noroeste, e encontrou um bom número de potenciais eleitores, deixando-o animado.
Conversa vai, conversa vem, um dos participantes solicita de forma educada:
- Ô meu... pega uma revista “preu†aí embaixo da TV...
- Tudo bem... qual você quer?
- Qualquer uma!
Ladeira pegou uma revista qualquer e passou para o rapaz, que folheou, folheou, destacou uma página, abriu a bolsa e começou a preparar um baseado. Ladeira assustou, ficou desconfiado e preocupado com uma possível chegada da polícia, acabou por se aproximar da janela. Se chegar polícia, pulo a janela e me mando, pensava, antes de se lembrar que estava no segundo andar. O povo fumou, bebeu e, quase no final da festa, sua aluna pediu silêncio para apresentar o professor candidato:
- Gente! Atenção! O Ladeira é meu professor, é uma pessoa muito legal, resolveu se candidatar a vereador e queria que vocês ouvissem um pouco ele.
O candidato fez um breve discurso, louco de vontade de se mandar do local e, ao terminar, ouviu daquele que lhe tinha pedido a revista:
- Falô, ô Madureira! Pode contar com nosso voto! “Cê†é gente boa!
Ladeira saiu louco da vida!
Pura perda de tempo essa festinha. Além do medo, ainda o maluco falou que vai votar no Madureira. Ao menos, o Paulão não era candidato nessa!... (contada por Antonio Pedroso Júnior)