Bairros

Viaduto 'vovô' merece atenção especial

Sérgio Pais
| Tempo de leitura: 3 min

Assim como um ser humano fica mais suscetível a doenças com o passar dos anos, as obras mais antigas também parecem padecer do mesmo mal. A constatação pôde ser comprovada por uma inspeção visual realizada em viadutos pelos professores de engenharia civil da Universidade Estadual Paulista (Unesp-Bauru) Cláudio Vidrih Ferreira e Adílson Renófio.

A pedido do JC nos Bairros, os estudiosos, especialistas em Patologia da Construção, visitaram oito dos principais viadutos da cidade para verificar suas condições. Não por coincidência, o viaduto JK, construído no final da década de 50 (veja quadro ao lado), que liga o Centro ao Jardim Bela Vista, foi o que apresentou a situação “mais preocupante”.

Os professores reforçam que a vistoria foi apenas visual e que, por isso, os diagnósticos apresentados não devem ser tomadas como definitivos ou aprofundados. “Isso só seria possível com a retirada de amostras de materiais, testes, ensaios de laboratório, análise dos projetos originais, entre outros procedimentos”, reforça Vidrih.

Segundo os professores, nas vistorias realizadas, “visual e superficialmente, verificou-se que, de forma geral, todas as pontes e viadutos carecem, em maior ou menor escala, de manutenção e/ou conservação”.

Segundo o relato dos professores, quatro viadutos e pontes (Nações Unidas-Duque de Caxias, Nações-Rondon, Duque-Rondon e Rondon-Nuno Assis) “aparentemente encontram-se em ordem, sendo necessário eventualmente, inspeções periódicas e manutenção mínima preventiva”.

No viaduto da avenida Rodrigues Alves com a rodovia Marechal Rondon, segundo Vidrih, “o pé de um dos pilares apresenta destacamento do concreto, proveniente de corrosão de armadura, necessitando manutenção de tal forma que evite altos custos futuros para recuperação”.

“Já o viaduto Antonio Eufrásio de Toledo, aparentemente em ordem, necessita de uma vistoria mais apurada no guarda-corpo, que pode estar guardando patologias que venham, em breve, comprometer o seu desempenho adequado”.

Segundo o relato, o viaduto João Simonetti, na rua 13 de Maio, sobre a avenida Nuno de Assis, apresenta um dos pilares com acentuado destacamento de concreto, com armadura exposta parcialmente e adiantado estado de corrosão. Tal situação indicaria, segundo o relatório, “a necessidade de uma vistoria para impedir o crescimento das manifestações patológicas que poderão exigir investimento significativo para sua correção”.

Mas é justamente o viaduto JK, o mais antigo da cidade, aquele que se apresenta “em estado mais deteriorado, denotando falta de manutenção e/ou conservação, necessitando atenção do poder público e uma adequada vistoria no sentido de impedir que as manifestações patológicas se agravem e possam redundar em custos significativos para sua reparação”.

No JK há manchas de umidade generalizadas em praticamente em toda a sua estrutura, indicando problemas acentuados de infiltração de água proveniente, provavelmente, da deterioração da pavimentação asfáltica. “Essa acentuada umidade instalada nesta obra de arte provocou o aparecimento de estalactites advindas do acúmulo de sais carreados pela percolação (passagem de liquido por um meio para extrair elementos deste meio) de água da face superior da laje”, diz o relatório.

Além disso, os professores também encontraram armaduras expostas em diversos pontos da estrutura, indicando a necessidade de intervenção. “Há fissuras e trincas em vigas e pilares que merecem atenção especial no sentido de se efetuar a adequada avaliação por profissional especializado para apontar a origem e extensão dos danos e proceder a intervenção, visando recuperar o trecho afetado”, conclui o relato.

Segundo Vidrih e Renófio, os problemas patológicos são evolutivos e se agravam com o tempo. “Assim, é necessária a intervenção do poder público, principalmente nos viadutos João Simonetti e JK, sob pena de, em não o fazendo em breve, arcar com uma morosa e cara recuperação da estrutura”, advertem.

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