Um seminário realizado na cidade de Bocaina (69 quilômetros a nordeste de Bauru) movimentou o setor coureiro. Acostumados a fabricar equipamentos de segurança individual (EPIs) com a raspa de couro, os empresários discutiram exportação e moda, requisitos que podem mudar o perfil do segmento no município. O evento foi promovido pela Diretoria de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura Municipal em parceria com o Sindicato das Empresas e Curtumes de Couro (Sindacouros), que tenta diversificar produtos visando novos mercados.
Para a coordenadora do programa setorial integrado do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (Apex/CICB) de Brasília, Creuza Batist, a que esteve no encontro para falar sobre “Exportar couro e moda é um ótimo negócio”, todas as atividades que o Centro das Indústrias de Curtume do Brasil e a Apex têm realizado, tem como objetivo aumentar as exportações de couro.
De acordo com ela, essas atividades têm gerado, de um ano para outro, um crescimento em torno de 15% a 20%. “No ano passado, a exportação de couro contabilizou US$ 1,4 bilhão. Já alcançamos a casa de US$ 1,7 bilhão. Todas essas atividades são extremamente positivas e elas contribuem para a divulgação do couro lá fora.”
Ela faz questão de frisar que a divulgação ocorre especialmente em pontos onde o Brasil não tem tradição em exportação de couro.
Para a coordenadora, não há esforço efetivo para a exportação do couro. “Lamentavelmente, o couro brasileiro é comprado, não vendido. O estrangeiro vem aqui, leva tudo na condição de wet blue, ou seja, no primeiro estágio do couro. Quando ele leva em wet blue, o Brasil perde porque você está exportando matéria-prima. Vai o luxo e fica o lixo.”
Ela explica que o que gera renda é o produto acabado. “O couro acabado vale, no mínimo, dez vezes mais que o wet blue. O Brasil precisa aprender a gerar emprego e renda.”
Na opinião de Creuza Batista, os brasileiros deveriam evitar que o couro fosse exportado de forma primária. Outro problema, segundo ela, é a desclassificação do couro brasileiro. “O Brasil perde, hoje, mais de US$ 1 milhão pela desclassificação do couro. Além da esfola inadequada, você tem o problema do carrapato, do berne, a mosca-do-chifre, sarna, piolho, que marcam o couro.”
A matança clandestina é outro fator que influencia negativamente o couro brasileiro. “A matança clandestina existe. Esse couro é comprado na condição de couro catado. Ele acaba caindo num curtume. Entra como outro couro qualquer. O couro é comprado em quilo e vendido por metro, pela classificação. Isso depõe contra o produto verde e amarelo.”
Na opinião dela, no Brasil há tecnologia, mão-de-obra, produtos químicos e muita matéria-prima. “Temos tudo para trabalhar o couro e exportar o produto acabado, depois que gerou emprego e renda no País.”