Como consultor, tenho o privilégio de conhecer muitas empresas brilhantes. Uma delas é a Difiorena, fábrica de cosméticos da cidade de Franca, que tem muitos diferenciais. Alguns deles estão nas políticas de recursos humanos. O funcionário, depois de passar por rígido recrutamento e seleção, se não der certo na função para que foi contratado, vai para outra. Se mesmo assim não acertar, vai para outro cargo. Esse processo se repete até a pessoa se encontrar. Se não se entrosar em nenhuma posição, aí sim o colaborador é convidado a sair.
O empresário dessa organização acredita que as pessoas, principalmente jovens, precisam de chances para se descobrir. Na questão do relacionamento, esse executivo não aceita em hipótese alguma desentendimento entre os membros da equipe.
Com muito afinco, criou mecanismos que estimulam diálogos e busca de soluções. Esse executivo, através de delegação de poderes, dedica a maior parte do seu tempo aos funcionários, num verdadeiro gerenciamento participativo.
Ele tem consciência plena de que são os indivíduos que atravancam os processos. Se dois funcionários não se entendem, têm-se ali um gargalo. Pelo astral reinante entre os funcionários dessa empresa, posso afirmar que é a empresa mais feliz que conheci.
Recentemente fui abordado por um outro cliente, que solicitou-me um treinamento para ensinar sua equipe a praticar o perdão. Com uma visão excelente, ele percebeu que boa parte da desmotivação vem da convivência. Tarefa nada fácil, pois dependia muito mais do estágio moral de cada um.
Ninguém sente uma situação exatamente igual, isto é, com a mesma intensidade. Os homens evoluem sempre, porém, não do mesmo jeito e ao mesmo tempo, mas respeitando ao seu próprio ritmo.
Através de exercícios e vivências psicodramáticas, conseguimos melhorar muito os desenvolvimentos da compreensão de si e do próximo, da prática da empatia e da distinção do que é realmente relevante numa relação.
As pessoas dessa empresa passaram a focar mais as qualidades dos companheiros de trabalho. Adquiriram também a consciência de que os defeitos de um ser humano são perecíveis. Com o tempo, dependendo do querer, as falhas tendem a desaparecer.
Percebe-se com isto indícios de que as empresas visionárias ensinarão as pessoas a ser melhores. Com isso, teremos empresas, cidades e Estados melhores. Talvez seja esta a grande responsabilidade social de uma organização.
Sugestão de melhoria
Sempre que chegar ao trabalho, diga “bom dia” olhando nos olhos das pessoas.
Davison de Lucas - diretor da M. Davison & Associados