Saúde

Cirurgia é o único tratamento

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 4 min

A cirurgia eletiva (agendada) de aneurisma da aorta tem caráter preventivo, ou seja, a finalidade é evitar a morte do paciente por ruptura da artéria. Para a indicação, é avaliado se o risco do procedimento é menor do que o risco do aneurisma romper-se. Não há medicação para tratar a doença, sendo a cirurgia a única possibilidade de correção.

Em aneurismas com diâmetro menor do que 5 cm, a possibilidade de ruptura é rara. O tratamento recomendado é a observação, o que implica em vigilância periódica em relação ao crescimento do diâmetro, através da realização de ultra-sonografia, em intervalos de seis meses.

É comum que os médicos indiquem a cirurgia apenas em casos de pacientes que apresentem aneurisma com diâmetro igual ou maior que 5 cm (4,5 cm para mulheres).

“Em princípio, não podemos imaginar que todo aneurisma necessite de indicação cirúrgica. Ele tem uma indicação cirúrgica a partir de determinado diâmetro, que normalmente está entre 5 cm e 6 cm, porque o risco de ruptura é muito grande. A gente pauta a indicação da cirurgia pelo risco da rotura do aneurisma”, destaca o cirurgião vascular de Bauru, Cláudio Gabriele.

Na cirurgia da aorta abdominal, é implantado um tubo sintético, uma prótese de material plástico, dentro do aneurisma. Assim, o sangue passa a exercer pressão pelo tubo e não mais sobre as paredes fragilizadas da aorta, evitando o risco de ruptura.

O tubo sintético pode ser introduzido por cirurgia convencional ou por cateterismo. No primeiro procedimento, a aorta é dissecada, a parede do aneurisma é aberta e a prótese é suturada na aorta, manualmente. A cirurgia convencional já vem sendo realizada há cerca de 50 anos.

A segunda técnica (endovascular), descrita pela primeira vez na Argentina em 1991, é menos invasiva. Segundo o cirurgião vascular Alexandre Anacleto, através de dois pequenos cortes na região da virilha do paciente, é introduzida uma prótese, comprimida dentro de uma bainha. Retira-se a bainha, a endoprótese se expande e se encaixa dentro do aneurisma, sem a necessidade de sutura.

Esse tipo de cirurgia realizada por cateterismo iniciou-se há pouco mais de uma década, por isso ainda não foi avaliada sua eficacia a longo prazo. O mau posicionamento da prótese pode levar à necessidade de novos procedimentos de correção. Com o tempo, a pulsação da aorta pode levar ainda à fadiga e deslocamento da prótese.

“A longo prazo, a endoprótese não supera o tratamento convencional. Os resultados são piores. A endoprótese teve um grande boom. Todo mundo achou que esse procedimento iria substituir a cirurgia convencional porque era tecnicamente mais fácil, mais rápido. Só que, atualmente, os estudos estão mostrando que não é bem assim. Ainda hoje, o principal tratamento é a cirurgia convencional”, diz Gabriele.

O procedimento endovascular, segundo o cirurgião, tem sido recomendado de forma restrita, a pacientes que tem contra-indicação formal para cirurgia convencional ou pacientes numa faixa etária acima de 80 anos.

Já na avaliação do cirurgião vascular Alexandre Anacleto, de São José do Rio Preto, a técnica endovascular está crescendo e provavelmente substituirá a cirurgia convencional em alguns anos.

____________________

Tipos de intervenção

1 – Dilatação na parede da aorta abdominal intra-renal

2 - Técnica de correção do aneurisma por meio de cirurgia convencional, que exige a abertura do abdome para a implantação da prótese.

3 - Cirurgia endovascular do aneurisma: por meio depequeno corte na região da virilha, é introduzida a endoprótese, que é fixada na parede da aorta.

____________________

Mortalidade

De acordo com o cirurgião Cláudio Gabrielle, a mortalidade decorrente da cirurgia de aneurisma da aorta varia de acordo com o centro cirúrgico, mas a média é de aproximadamente 5%.

No Hospital da Beneficência Portuguesa de São José do Rio Preto, considerado um centro de referência na área cardiovascular, a mortalidade é de 1,2% nas cirurgias eletivas. Nos procedimentos de urgência, quando houve a ruptura do aneurisma, o índice de mortalidade gira em torno de 50%.

A cirurgia eletiva exige, em média, de dois a três dias de internação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). “No quinto, sexto dia, o paciente já está em casa”, ressalta Gabriele.

Muitos pacientes que apresentam aneurisma da aorta possuem outros comprometimentos, como doença coronariana, que leva ao risco de infarto. “Por isso, antes da cirurgia, ele tem de passar por avaliação cardiológica. Se o paciente tem coronária obstruída, você tem que tratar essa coronária antes da cirurgia do aneurisma”, explica.

Comentários

Comentários