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Passeata cobra reabertura de PS do Mary Dota

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Moradores da zona leste de Bauru organizaram ontem de manhã uma passeata pela avenida Marcos de Paula Raphael para protestar contra o fechamento do Pronto-Socorro (PS) Mary Dota.

Com faixas e palavras de ordem, os moradores pediam a reabertura e a volta do serviço de emergência para o bairro. Há uma semana, o PS foi desativado e atualmente no local funciona apenas uma unidade básica da sáude, das 7h às 21h. Todo o atendimento médico que era prestado no PS do Mary Dota foi transferido para o PS Central.

Da manifestação resultou um documento que será entregue à prefeitura, à Câmara Municipal e ao Ministério Público. “Queremos deixar bem claro que caso alguém venha a morrer por falta de atendimento no bairro, a prefeitura será responsabilizada judicialmente”, declarou Paulo Ferreira, presidente da Associação Comunitária Mary Dota.

Segundo ele, os moradores não concordam também com a forma como foi decidido o fechamento do PS. “A decisão partiu de cima para baixo, não houve nenhuma espécie de discussão junto com a população para saber o que era melhor.”

Para Vanderlei Antônio de Oliveira, da comissão que reúne nove associações de moradores da zona leste, a medida tomada pela prefeitura prejudicou os moradores não só do Mary Dota mas de toda aquela região. Segundo ele, estima-se em 60 mil a população da zona leste.

“É uma cidade dentro de Bauru. Municípios bem menores do que isso têm até hospital e nós não temos nem Pronto-Socorro”, reclama Oliveira.

Segundo ele, é uma dificuldade a mais para os moradores dos bairros da região ter de procurar atendimento médico de emergência usando ônibus. “A doença não escolhe hora e não temos ônibus durante a madrugada”, lembra Oliveira.

Na opinião dele, o Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) nem sempre atende os moradores com a rapidez que eles esperam. “Eu já soube de vários casos em que eles (Samu) demoraram mais de uma hora para prestar o atendimento”, relata.

Testemunho

Uma moradora do Jardim Pagani também esteve na passeata ontem e usou o microfone do carro de som para dar seu “testemunho”. Ela contou que namadrugada de ontem teve de sair de casa para levar seus dois filhos pequenos ao médico, mas precisou de esperar amanhecer o dia para ser atendida.

Sem conseguir segurar as lágrimas, ela disse que saiu de casa às 3h e só conseguiu falar com a médica por volta das 7h. Enquanto esperava o atendimento, Viviane Salas, 30 anos, teve de controlar o choro dos filhos (um de 5 meses e outro de 3 anos), que reclamavam de dor.

“Não estamos querendo nada mais do que nos foi prometido. Estamos aqui reivindicando nossos direitos”, cobrou ela.

De acordo com o presidente da Associação Comunitária Mary Dota, se a prefeitura estabelecer um prazo para que o atendimento de urgência e emergência seja novamente implantado no bairro já será uma vitória. “A partir daí, teremos condições de cobrar uma ação mais efetiva da prefeitura.”

Além do PS do Mary Dota, o município encerrou o atendimento também no Núcleo Ipiranga.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, o fechamento dessas unidades é o primeiro passo para um projeto de reordenação da rede pública municipal de saúde. Um dos objetivos é passar a investir mais em equipes de saúde da família e agentes comunitários como saída para melhorar a rede básica de saúde do município.

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