Política

Técnicos sugerem opções para reforma

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

Durante reunião técnica realizada há cerca de 15 dias, na sede do Sindicato do Comércio Varejista, no Jardim Higienópolis, os especialistas se manifestaram pelo aproveitamento da ponte Ayrton Senna a partir da estrutura existente, mas não houve consenso sobre a melhor ação de recuperação a ser empregada e nem segurança sobre o resultado dessa intervenção.

Descartada a demolição, hipótese comentada pelo prefeito Tuga Angerami (PDT) apenas como solução extrema na oportunidade, a discussão sobre o destino da obra levou à apresentação de três alternativas de reforma.

O engenheiro José Henrique Albiero, responsável pelo projeto e execução da recuperação das fundações da ponte, defende as ações já em andamento: reforço das fundações e envelopamento do aterro.

Albiero não se arrisca a concluir o projeto de recuperação sem o envelopamento. “O aterro envelopado é realizado com técnica especial que não transfere reação para a superestrutura da ponte, o que elimina riscos adicionais. Pode ser que sem esse sistema a ponte apresente performance excelente pronta, mas eu não arrisco abrir mão do envelopamento”, disse.

Mas somente a realização do envelopamento consumiria mais R$ 272 mil para finalizar a reforma. A Albiero Projetos foi contratada apenas para o projeto de recuperação da fundação da ponte, onde se apresentaram as rachaduras nas estacas.

A discussão levou a outra opção para resolver o problema estrutural da obra quando o engenheiro Júlio Timerman esboçou outra sugestão para a reforma em definitivo. Ele defendeu a demolição das alas laterais de concreto para aumentar a vazão de água além do leito do rio e a realização de prolongamento da ponte (tramos) em 10 metros de cada lado para facilitar a passagem da água.

A proposta, entretanto, teria custo estimado de R$ 450 mil, valor acima dos R$ 272 mil lançados para o estudo atual, de envelopamento. A sugestão de Timermam, consultor contratado pela Tofer Engenharia para avaliar os danos causados na obra e suas conseqüências, significa, na prática, aumentar a atual ponte de 30 para 50 metros, com o prolongamento.

A Tofer foi a empresa que construiu a ponte original, que apresentou rachaduras nas fundações.

O também engenheiro e diretor da Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural (Abece), Fernando de Moraes Mihalik, também vê viabilidade nas três propostas discutidas. “O envelopamento é uma solução boa e mais comum, assim como a do aterro. A nova proposta de prolongar a extensão pretende evitar a execução dos aterros e o volume de água. É preciso verificar os custos disso”, menciona.

O engenheiro e professor da área de solos da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Heraldo Giacheti achou o aumento da extensão atual da ponte uma solução, mas a mais cara. “A proposta inicial de reforço de solo é a mais barata e é mais interessante. A sugestão de prolongar é viável, mas precisa ser analisada. O reforço da fundação está garantido e o que se pode baratear ainda mais é com envelopamento não com o uso da técnica de geosintético, mas de terra armada. Muda o produto e o preço, bem maior na primeira opção”, ponderou durante a reunião anterior.

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