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Amaral Carvalho reduz gastos para manter contas em ordem

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Jaú - Com R$ 8,4 milhões a receber do Sistema Único de Saúde (SUS), a Fundação Amaral Carvalho teve de fazer um empréstimo de R$ 3 milhões e cortar gastos para equilibrar as finanças da entidade.

A dívida do SUS teria surgido entre 2003 e 2004 quando o teto de procedimentos médicos e hospitalares foi ultrapassado em R$ 8,4 milhões. O teto define quantos procedimentos um hospital está autorizado a fazer e o valor que irá receber do governo pela prestação do serviço. Atualmente, o teto do Hospital Amaral Carvalho (HAC) está em torno de R$ 35 milhões por ano.

Segundo argumenta o diretor-superintendente da fundação, Antônio Luís Cesarino Navarro, por causa de sua especialidade, o hospital acaba precisando superar o teto para não deixar de atender os pacientes.

O Amaral Carvalho é uma referência nacional no tratamento do câncer. Uma cirurgia oncológica, de acordo com o diretor-superintendente, não é igual a uma cirurgia eletiva, que pode ser deixada para depois. Se o paciente não for atendido, a doença pode se agravar e o quadro clínico pode ficar ainda mais complicado.

Diante disso, o hospital acaba atendendo além do que é autorizado pelo SUS e depois não recebe pelo serviço extra, o que gera um défict e força a instituição a apelar para empréstimos para cobrir suas despesas.

Em 2003, a Secretaria de Estado da Saúde determinou que o Amaral Carvalho fizesse o remanejamento de novos pacientes para outros hospitais. A medida tinha como objetivo evitar que os procedimentos de quimioterapia e radioterapia do HAC continuassem aumentando além do teto físico-financeiro estabelecido no convênio com o SUS. Isso demonstra que o problema não é novo e ainda não foi encontrada uma maneira de solucioná-lo.

Mesmo assim, o hospital informa que está com as contas em ordem. Porém, cada vez mais perto de seu limite. Por isso, decidiu cortar gastos reduzindo a folha de pagamento e economizando em outras despesas correntes como o telefone, por exemplo.

A defasagem da tabela do SUS - que define quanto o governo paga aos hospitais pelos procedimentos realizados - foi apontada também como uma das responsáveis pela dívida.

Além de ser considerado como uma referência nacional na área de oncologia, o Amaral Carvalho foi o primeiro hospital a realizar um transplante de medula óssea em um índio da tribo ianomami, do Estado do Amazonas. O procedimento foi em maio deste ano, durou cerca de uma hora e foi considerado um sucesso pela equipe médica do hospital.

De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, os repasses para o HAC vêm sendo feitos normalmente.

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