Pirajuí - Técnicos do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) chegam amanhã a Pirajuí para um trabalho de erradicação do cancro cítrico. Existem suspeitas da presença da doença na região e isso tem preocupado os produtores de laranja, tangerina e limão. Se atingir as plantações, o cancro vira sinônimo de prejuízo.
Na semana passada, a equipe esteve em Guarantã e nos próximos dias, além de Pirajuí, serão visitadas também as cidades de Cafelândia, Presidente Alves, Avaí, Pongaí e Júlio Mesquita.
Embora a preocupação maior seja com as plantações de citrus da região, o alvo dos técnicos não é a zona rural, mas as residências. De acordo com o Fundecitrus, estudos teriam apontado que a doença estaria sendo levada da zona urbana para o campo.
Uma das explicações é que os trabalhadores não estão mais fixos na zona rural. Eles mudaram para as cidades e vão para o campo só para trabalhar. Desta forma, acabou se transformando, sem querer, em um agente transmissor da doença.
Um pé de laranja contaminado no fundo do quintal, por exemplo, pode desencadear o processo de destruição de uma plantação. A bactéria causadora do cancro cítrico se espalha facilmente. Ela pode se alojar nas roupas, nas ferramentas de trabalho, nos veículos ou pode ser levada pelo vento.
A bactéria pode sobreviver por vários anos em material vegetal cítrico contaminado mesmo quando separado da planta. Em outros materiais, como metal, plástico, madeira e tecido, a sobrevivência da bactéria é mais curta, geralmente de dias a semanas.
A eliminação do cancro exige a erradicação das plantas doentes e mesmo das que tenham apenas suspeitas de contaminação.
Na tentativa de manter a doença longe dos pomares, o Fundecitros começou a fazer inspeções na zona urbana e em sítios e chácaras que tenham pés de laranja, tangerina ou limão plantados. O trabalho foi intensificado nos últimos três anos, após a descoberta de possíveis focos nas cidades.
Desde então, os técnicos têm passado de casa em casa fazendo um trabalho de conscientização e de erradicação das plantas contaminadas.
As equipes são divididas por setores para facilitar a cobertura. Se alguma suspeita da doença é encontrada, o Fundecitros notifica a Secretaria Municipal de Agricultura, que por sua vez recolhe o material suspeito e manda para o laboratório para ver se realmente trata-se de cancro.
Laços de família
Em caso de comprovação, todas as plantas da propriedade devem ser eliminadas. “O grande problema que nós encontramos é que, geralmente, o pé que está contaminado foi plantado há muitos anos pelo pai ou avó e a família resiste em cortá-lo”, revela a assessoria de imprensa do Fundecitrus.
Mas, apesar de todo laço sentimental que possa unir a família à planta, esta precisa ser eliminada. O corte é obrigatório e obedece a uma determinação federal.
Se o cancro pode representar um grande prejuízo na lavoura, o mesmo não pode ser dito quando a fruta contaminada é ingerida pelo homem. Segundo o Fundecitrus, a doença não causa nenhum mal ao ser humano. O que preocupa é o risco de disseminação.
Atualmente, existem cerca de 330 municípios no Estado de São Paulo que dependem da laranja. Por isso, a preocupação com a doença tem um caráter mais social e econômico do que com a saúde da população.
Uma planta contaminada perde produtividade e seus frutos não podem ser comercializados internamente, muito menos exportados.
Se uma plantação for atingida e a doença se alastrar, o proprietário tem de ficar pelo menos dois anos sem plantar citros.
Sintomas
O primeiro sintoma visível é o aparecimento de pequenas lesões salientes, que surgem nos dois lados das folhas, sem deformá-las. As lesões aparecem na cor amarela e logo se tornam marrons. O cancro cítrico é a única doença conhecida com lesões salientes que aparecem dos dois lados da folha.
Quando a doença está em estágio mais avançado, as lesões nas folhas ficam corticosas, com centro marrom e um anel amarelado em volta.
A atenção tem de ser redobrada na época da colheita, quando aumenta o trânsito de equipamentos, veículos e frutos por todo o Estado. A bactéria causadora da doença foi introduzida no Brasil em 1957, na região de Presidente Prudente, segundo o Fundecitrus.