Tribuna do Leitor

Causa ou conseqüência?


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Insegurança pública. Causa ou conseqüência? Difícil responder a essa pergunta. Vivemos num país que tem a história marcada pela escravidão de seu próprio povo nativo. Um país em que foi implantado, dura e violentamente, uma cultura que deixa no topo de sua existência algo deploravelmente belo chamado capitalismo. Pessoas fazem não somente o que querem, mas o que for necessário - ou desnecessário - para terem cada vez mais. Capazes de matar, roubar, violentar.

Será, esse nosso medo de sairmos de nossas próprias casas, uma conseqüência de algo que vem assolando nossas gerações há séculos? Ou é simplesmente a causa? Causa do nosso cuidado extremo, de nossos olhos saltarem das órbitas e girarem como uma barata em sua “via crucis” só para ter certeza de que não há ninguém olhando, ninguém seguindo. Indubitavelmente, agora não adianta colocar o dedo na cara de alguém e dizer: “A culpa é sua!”.

Já não é mais um problema de um ou de outro, mas um problema de todos. E começa-se a procurar uma saída, uma resposta, uma solução. Pena de morte? Mais prisões? Mais Febens? Numa de suas colunas à revista Veja André Petry deixa claro a posição do governo quanto à Febem. Há mais de dez anos o governo brasileiro diz que vai resolver o problema, mas não pode ser “de uma hora para a outra”. Há mais de dez anos! Então, o que nós como cidadãos devemos fazer? Que atitude tomar, por exemplo, com os adolescentes delinqüentes? Matar? E se ele só queria aquele tênis caríssimo que viu no pé de outro garoto da mesma idade? Era culpado por querer igualdade? Ele roubou, matou, foi para a Febem. Claro que não devemos defender este adolescente. Mas, e aquele que vem, toma a nossa terra, os nossos minerais, mata a nossa natureza e ainda por cima, é idolatrado pelo nosso próprio povo? Há de se mencionar que tudo isso não é uma justificativa para tanta violência e o medo que sentimos. Mas é bom para lembrarmos que nada vem do nada e que existem coisas mais antigas até para refletirmos antes de querer tirar alguma conclusão para a vida que levamos hoje.

Gabriela Faustini Brossi - estudante - RG 46.008.577-3

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