Lençóis Paulista - Desde que o juiz eleitoral de Lençóis Paulista (43 quilômetros a sudeste de Bauru), Mário Ramos dos Santos, notificou os partidos políticos de que iria fazer a incineração de documentos da eleição passada, prevista para hoje, surgiu uma polêmica na cidade. Marcos Rodrigues de Lima, candidato não-eleito a vereador pelo PC do B em 2004, quer evitar a destruição dos papéis alegando que haverá prejuízo a uma ação de maio de 2005 que pede a anulação das eleições municipais do ano passado.
Ele comenta que o mérito está para ser julgado e, dependendo do resultado, caberá recurso. Anteontem, Lima fez com um pedido ao juiz eleitoral da cidade solicitando o adiamento da incineração até que se tenha uma definição da ação. A chefe do cartório eleitoral, Tânia Maria Mazetto, explica que o despacho do juiz pede para que seja informado com exatidão que papéis não deveriam ser inutilizados. A assessoria jurídica de Lima iria se pronunciar ainda ontem.
Mazetto esclarece que não será incinerado nenhum documento relevante e que o descarte de papéis segue normas da Justiça Eleitoral. “Imagina que nós vamos incinerar algum documento da eleição que passou. A gente nem pode por lei”, ressalta.
Ela comenta que serão queimados hoje apenas comprovantes de quem não votou, notificação de que o mesário vai trabalhar na eleição, lista de presença de mesários e papéis como folhetos de orientação.
Como o juiz não especifica detalhadamente o que será destruído, surgiu a dúvida na medida judicial. “Nós achamos que está estranho eles queimarem (os documentos) seis meses após a eleição”, avalia Lima.
A lista de papéis para serem queimados hoje, além da eleição do ano passado, prevê documentos dos pleitos de 2002 e 2000. Serão destruídos também documentos arquivados de toda espécie e que datam da década de 90.